A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um dos distúrbios mais perigosos para quem dirige. Com interrupções frequentes na respiração durante o sono, a condição leva à sonolência diurna excessiva, o que compromete diretamente o reflexo e a atenção dos motoristas. No Brasil, segundo a ABRAMET, 40% dos acidentes nas rodovias federais têm relação com a sonolência – o que faz dela a terceira maior causa de acidentes, atrás apenas do consumo de álcool/drogas e do excesso de velocidade.
Estudos mostram que indivíduos com AOS têm de quatro a seis vezes mais risco de se envolverem em colisões. Nos EUA, mais de 310 mil acidentes por ano se associam à apneia, resultando em 1.400 mortes e perdas de US$ 15,9 bilhões. No Brasil, o impacto econômico é igualmente grave: o custo médio de um acidente com morte ultrapassa R$ 445 mil, segundo o IPEA.
Diagnóstico precoce da apneia reduz sonolência e salva vidas
Apesar do risco elevado, a boa notícia é que o tratamento da apneia com uso de CPAP pode reduzir em até 95% o risco de acidentes relacionados à sonolência. “Após o início do tratamento, motoristas relatam mais foco, segurança e desempenho semelhante ao de pessoas sem o distúrbio”, destaca Amanda Costa, médica da VitalSono.
O desafio é o diagnóstico. Muitos motoristas não sabem que têm apneia e enfrentam barreiras de acesso à polissonografia tradicional. Como alternativa, exames como o Sono Biologix – polissonografia tipo IV feita em casa – têm se mostrado eficazes, especialmente em empresas de transporte.
Tecnologia e campanhas de prevenção
Para ampliar o acesso ao diagnóstico, a Biologix e a VitalSono lançaram a campanha “Volta Segura – Motorista que dorme bem, volta para casa”. A iniciativa leva informações, treinamentos médicos e exames acessíveis a todo o país.
A Resolução CONTRAN nº 927/2022 reforça a importância de exames de sono para motoristas profissionais das categorias C, D e E. Observar sinais como ronco intenso, pausas respiratórias durante o sono e sonolência frequente ao longo do dia é essencial para prevenir acidentes graves.
Investir em diagnósticos e tratamento da apneia é uma estratégia de saúde pública com impacto direto na segurança viária.