Mobilidade urbana: desafios e soluções para cidades menos poluídas

Quando o engenheiro alemão Karl Benz criou o primeiro carro movido à gasolina no século 19, ele não imaginou que a invenção seria, hoje em dia, um dos principais vilões contra o meio ambiente.

Na época, a poluição não era um ponto de debate, além disso as emissões de gases de efeito estufa dos carros eram consideradas insignificantes em comparação com as de fábricas, por exemplo.

No entanto, com o passar dos anos, o uso generalizado de automóveis transformou a solução em um novo problema, fazendo com que a busca por outro modelos de mobilidade, mais sustentáveis se tornasse um dos principais temas da atualidade.

De acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito do Ministério da Infraestrutura, o Brasil tem quase 60 milhões de automóveis registrados, no entanto, esse número pode ser ainda maior se considerarmos que muitos veículos rodam de forma irregular.

Além disso, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), 3,6 milhões de carros que circulam no país possuem mais de 20 anos de uso, o que contribui ainda mais para a emissão de gases poluentes pela falta de tecnologias de controle de emissões

Diante deste cenário, a tecnologia desempenha um papel importante, especialmente, em grandes centros urbanos, onde há maior concentração de veículos.

Carros elétricos, por exemplo, são apontados como uma solução para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e melhorar a qualidade do ar nas cidades, no entanto, há um longo caminho pela frente para entender como a produção desses automóveis pode ser menos prejudicial ao meio ambiente, desde a mineração de matéria prima ao descarte do lixo produzido.

Além disso, é preciso ressaltar que, pelo menos no Brasil, essa opção ainda não é financeiramente viável para a maioria da população.

Entretanto, a tecnologia não se limita à produção de carros elétricos. A implementação de sistemas de gestão de tráfego inteligentes pode contribuir com a melhoria do fluxo de veículos nas ruas.

Com sensores de tráfego, sistemas de câmeras, GPS, comunicações sem fios, entre outros, é possível coletar dados em tempo real a fim de reduzir o tempo de espera em semáforos, com isso o trânsito flui de forma mais eficiente, causando menos congestionamento, o que influencia diretamente no tempo de permanência de veículos na ruas, algo que é preciso diminuir consideravelmente, pois dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito, (SPC Brasil), mostram que a população que reside nas capitais passa, em média, duas horas por dia no trânsito.

Embora o Brasil já use esse tipo de inteligência em grandes capitais, como em São Paulo e Rio de Janeiro, é nítido que ainda há muito o que avançar em grandes centros urbanos para melhorar a mobilidade.

E no que diz respeito ao uso de veículos, um levantamento feito pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que 62% das pessoas utilizam o carro particular para locomoção ao trabalho ou local de estudo, contudo, esse é um dado que podemos considerar alarmante na perspectiva ambiental, pois o uso de transporte coletivo é a forma mais viável, atualmente, para diminuir os níveis de poluição, uma vez que, um ônibus possui maior capacidade para transportar mais pessoas, o que contribui diretamente para a diminuição de carros nas ruas.

Diante deste cenário, não posso deixar de ressaltar que o incentivo de políticas urbanas para as empresas adotarem o fretamento corporativo é uma das principais soluções para encorajar as pessoas a andarem menos em veículos próprios e mais em transporte coletivo, a fim de diminuir os impactos negativos causados ao meio ambiente e, por consequência, melhorar a mobilidade urbana.