População da Zona Leste gasta em média 3h03 diariamente em deslocamento, quase o dobro da Zona Oeste

A população da Zona Leste da cidade de São Paulo gasta diariamente cerca de 3h03 em deslocamento dentro da cidade – um aumento de 1 hora em relação a 2021. Este número posiciona a Zona Leste como a região mais problemática do município em relação à mobilidade urbana.

É o que mostra a pesquisa “Viver em São Paulo: Mobilidade Urbana”, lançada pela Rede Nossa São Paulo, vinculada ao Instituto Cidades Sustentáveis (ICS).

O tempo gasto com deslocamento na Zona Leste é superior à média da capital, de 2h19, e quase o dobro do tempo gasto pela população da Zona Oeste (1h38), o menor entre todas as regiões. Na sequência aparecem o Centro (1h44), a Zona Norte (1h50) e a Zona Sul (2h02).

Mobilidade urbana é reflexo das oportunidades de emprego e renda

De acordo com o diretor presidente do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), Jorge Abrahão, este aumento significativo do tempo de deslocamento na Zona Leste é reflexo direto das desigualdades entre regiões em relação às oportunidades de emprego e renda.

“As diferenças de oportunidades de emprego e geração de renda entre as regiões da capital podem ser medidas de várias formas, incluindo parâmetros de mobilidade urbana. No Mapa da Desigualdade de 2021, por exemplo, notamos que sete dos 10 distritos com menores taxas de oferta de emprego formal estavam localizados nas zonas Leste e Sul. E são exatamente nessas duas regiões que a população gasta mais tempo com deslocamento. Quando a riqueza de uma cidade está concentrada, grande parte da população acaba tendo que se deslocar para lá”, comenta.

A pesquisa “Viver em São Paulo – Mobilidade Urbana” é realizada anualmente desde 2007 e consultou 800 moradores da capital paulista pessoalmente e de forma online nas 5 regiões da cidade, com o objetivo de mapear as percepções da população sobre a mobilidade urbana em São Paulo.