Crise no transporte coletivo municipal no Alto Tietê

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Radial Ferraz Vasconcelos
Foto: Hendrick Gabriel

Uma conjunção de fatores negativos e negligências com o setor do transporte coletivo, principalmente o urbano, deixou esse segmento à beira do colapso e de sua inviabilidade. A situação é extremamente crítica e sem qualquer vislumbre de uma recuperação rápida para o setor, crucial para o reerguimento da economia e na geração de empregos e de novas atividades comerciais. Neste momento tanta as empresas como a sociedade vão arcar com o ônus desta situação de calamidade.

Para se compreender o tamanho do problema basta listar alguns itens. Como as altas constantes, quando não semanais, dos combustíveis acelerando a crise econômica, o retorno da inflação, a ausência do apoio institucional efetivo para conter os impactos sobre as empresas de transporte.

Basta lembrar que impedidas de reduzir seus efetivos, apesar de terem mais de 80% de suas receitas despencarem, as companhias de transporte coletivo tiveram que manter a frota de ônibus circulando em todas as linhas e em sua capacidade plena durante o período de pandemia. Inclusive durante os lockdowns. Soma-se a isso diversas exigências impostas pelo momento de calamidade pública às empresas, essas totalmente desamparadas de uma política pré-estabelecida para não quebrar o setor, gerando gastos extras e sem previsões orçamentárias. Além de enormes prejuízos em seus caixas.

As empresas sequer conseguiram linhas de créditos especiais para levantar esses recursos extras. A única via foi o endividamento e a perda patrimonial. Os números dão a dimensão exata do desastre e de como o setor, assim como grande parte da sociedade que depende do transporte coletivo, estão sofrendo com os enormes impactos econômicos e sociais.

Números mostram a gravidade

Em um estudo minucioso feito junto aos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) o gigantismo da subida dos combustíveis fica evidente. O óleo diesel registrou no ano de 2021 o preço médio de R$ 3,80 e máximo de R$ 6,80 por litro. Acumulando neste período uma alta de 79,6% (praticamente 80%) nas refinarias.

Entre 2019 e outubro de 2021, o preço do diesel alcançou a espantosa alta acumulada de 95,8%. E o pior, a Petrobras já informa que até o final do ano terá novos reajustes dos preços. O que agrava ainda mais o quadro já debilitadíssimo das empresas e da sociedade, aprofundando ainda mais a crise econômica e o prejuízo das empresas.

Como se não bastasse, o sindicato da categoria Sindrodov, do Alto Tietê, surge com uma pauta totalmente absurda para o momento, como se os efeitos da pandemia na economia tivessem passado. A entidade pede além da reposição inflacionária mais 5% de aumento real. E outras seis clausulas que tornam inviável a recuperação econômica das empresas sem uma redução drástica de quadros funcionais e da qualidade do serviço prestado.

Algo totalmente fora do contexto dramático que o país passa e da realidade. Esse tipo de prática oportunista e inconsequente, coloca em risco tanto a sobrevivência das empresas como dos empregos gerados. Desta forma nota-se claramente a garantia do emprego de alguns em detrimento do desemprego de muitos, como se não bastasse o país ter 20 milhões de desempregados.

Alto Tietê

Na região do Alto Tietê, que reúne as cidades de Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Arujá e Guarulhos (integrantes do Condemat) mostra que o último aumento autorizado ocorreu no início de 2019, em janeiro ou fevereiro, com exceção à Itaquaquecetuba que ocorreu em julho do mesmo ano. A tarifa subiu entre R$ 0,30 a R$ 0,45 centavos de real.

Há 33 meses, na maioria das cidades, não houve qualquer tipo de reajuste. O valor médio da tarifa de ônibus municipal passou para R$ 4,44, com a média de adequação nos preços em 8,19%.

Mas a inflação no país explodiu entre 2019 e 2021. O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) mostrou que até outubro de 2021 foi registrado 19,80% de inflação, em 2020 o índice de 23,07% e em 2019 se alcançou 7,68%. Isso corresponde a quase 6 vezes o valor da correção da tarifa feita há praticamente 3 anos.

Vale lembrar que mesmo corrigida a defasagem, pela escalada inflacionária e principalmente o aumento constante do óleo diesel e de peças e insumos continuará a subir sem qualquer sinal que haja uma política nacional para conter esses avanços. Os principais itens que compõem a tarifa e que mais sofreram alteração com a elevação do preço ou aumento do índice:

  1. Combustível (Óleo diesel – S10)
  2. Índice Geral de Preços (IGP-DI/FGV)

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