Qualidade de vida do cidadão é foco do primeiro dia de debates da Semana de Inovação da CPTM

Usar a inovação, para além da tecnologia, garante a integração entre modais, serviços e atividades, melhorando os usos dos espaços e oferecendo mais qualidade de vida à população

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Estação Luz CPTM
Foto de John Michael Wilyat por Unsplash

Melhorar ainda mais a experiência passageiro foi a mensagem principal durante a abertura da 1ª Semana de Inovação da CPTM, realizada nesta segunda-feira, dia 18 de outubro de 2021, às 9h, pelo presidente Pedro Moro, acompanhado dos diretores Gilsa Eva, Luiz Argenton e Eduardo Jorge.

De terça, dia 19 de outubro, até sexta-feira, dia 22 de outubro, especialistas do setor de transporte, mobilidade urbana e inovação vão discutir as soluções de como o transporte sobre trilhos deve adequar suas ações com propostas inovadoras para os desafios da nova realidade urbana dentro do conceito de cidades inteligentes, integradas e adequadas a cada cenário das necessidades da população.

Nesse sentido, o presidente Pedro Moro reforçou a importância da primeira Semana de Inovação da companhia, fruto de um trabalho intenso das equipes de inovação da CPTM, com objetivo de fomentar a cultura de inovação, com promoção de diversos projetos e ações inovadoras para a mobilidade, a fim de instituir essa cultura no dia a dia das atividades. “Essa cultura inovadora tem possibilitado que projetos desenvolvidos internamente por funcionários sejam colocados em prática. Por isso, queremos ampliar o conhecimento com as reflexões desse evento, que foi abraçado por um grupo de apoiadores externos”, afirma Pedro.

Para Gilsa Eva, diretora financeira da companhia, a CPTM tem a missão de melhorar a experiência do passageiro, sendo assim a iniciativa servirá para tratar trazer a inovação para o cotidiano do negócio, levando a essência do conceito de mudar a forma de pensar e agir para fazer diferente e reinventar. “Pensamos a jornada do cliente do embarque ao desembarque e, por isso, é importante que todas as pessoas se envolvam, e não apenas do setor público”, ressalta Gilsa.

Na visão de Eduardo Jorge, diretor de negócios, há três pontos primordiais a serem evidenciados no transporte coletivo urbano: a competição no setor especialmente com os adventos das concessões, que estimula cada vez mais a melhoria da prestação de serviço; o cliente que busca sempre o melhor atendimento, o que reforça a necessidade de inovar especialmente em receitas acessórias, observando as potencialidade do ambiente para agregar serviços e entregar conveniência; e os colaboradores usar a inovação para retenção e estimular o potencial criativo de cada um. “A pandemia mostrou que a demanda nem sempre vai retomar para níveis antigos, as pessoas vão buscar outras alternativas, sejam carros compartilhados ou outros modais. Dessa forma, é fundamental inovar”, diz Eduardo Jorge.

Para o diretor de operação e manutenção, Luiz Eduardo Argenton, a inovação é parte essencial para processos de manutenção e estratégias operacionais, exemplo disso foi o desenvolvimento de simuladores que ajudaram na operação. “A mudança de cultura fomenta a verdadeira missão da CPTM para com seus passageiros, que é melhorar a jornada do cliente não só no transporte, mas também em serviços”.

Integração

O primeiro painel técnico da Semana de Inovação levantou reflexões com base no conceito de cidades e estações inteligentes. Com o tema “Como integrar Inovação, Smart Station e Smart Cities?”, o mediador Roberto Sbragia, professor da Fundação Instituto de Administração – Universidade de São Paulo (FIA – USP), ressaltou a importância do evento para discutir, identificar e propor soluções para um segmento fundamental na vida de milhares de pessoas.

Durante o painel, o palestrante Elias de Souza, diretor da Deloitte e projetor de MBA da Politécnica, falou sobre a importância de se falar em cidades inteligentes, tema que já vem sendo explorado desde o final da década de 70, e ganhou maior proporção com o crescimento da urbanização. Segundo ele, em 2020, a urbanização no mundo estava 56%, enquanto no Brasil a taxa chega a 87%. Esse cenário traz desafios como ameaças ambientes, epidemias, ondas de calor, escassez de recursos naturais, ineficiência do serviço público, desigualdade socioeconômico.

“A maior parte das pessoas leva 56 minutos de deslocamentos de casa para trabalho, apenas 45% da população tem carro, há mais de 1 mil favelas em São Paulo e 24 mil moradores de rua. Há necessidade de se abordar e investir em cidades planejadas e integradas”, explica Elias de Souza.

O especialista diz que cidade inteligente vai muito mais além do que tecnologia. Está relacionada a desenvolvimento urbano para trazer desenvolvimento econômico e social e, ainda, melhorar a qualidade de vida e mobilidade da população. “Cidades inteligentes, humanas, sustentáveis, digitais. Não importa a denominação, mas que esteja conectada e integrada”.

Ana Waksberg Guerrini, economista sênior do Banco Mundial e especialista em transporte, também destaca a mobilidade integrada e humanizada, com foco em melhorar a vida do cidadão e do passageiro. “Aumentar a equidade, segurança e acessibilidade para todos faz parte desse processo de mudança de mentalidade para pensar em integração física, tecnológica e política tarifária. Trata-se de mobilidade inteligente com desenvolvimento urbano orientado para o transporte público”, explica.

Por isso, a especialista aposta em estações inteligentes, que são pontos de conexão das pessoas com a mobilidade urbana, transporte, urbanismo e tecnologia. “Deve-se planejar o desenvolvimento urbano ao redor das estações e dentro delas, que podem gerar receitas acessórias para o transporte público. Não tem como falar em inovação sem agregar tecnologia e temas transversais para política de mobilidade inteligente, como diminuir desigualdade e oferecer mobilidade sustentável. As estações podem ter mais serviços, comércios, trazer para o entorno moradia social, academias, hotéis, enfim outros usos e com incremento de receitas acessórias”, conclui Ana Guerrini.

Felipe Maruyama, diretor de inovação do IdeiaGov, projeto do Governo do Estado de São Paulo, trouxe à discussão a inovação direcionada no setor público com foco no cliente. Ele pontou que há desafios presentes nas políticas de inovação. “Diferentemente do que se pensa, existem muitos projetos inovadores no ambiente público. O Governo é grande indutor para estimular a inovação e trabalha para melhorar o serviço público, buscando sempre a participação social”, explica Felipe.

Hoje estão desenvolvidas e implantadas soluções inovadoras nos processos, nas ações e no sistema organizacional. “O setor público gera muitas soluções, mas não é possível inovar sozinho. Por isso, é preciso pensar em cidades resilientes por causa das questões climáticas e ainda no conceito de inovação aberta como forma de abrir o processo de ideias e sugestões para formatar ambientes mais amplos e convergir em problemas específicos”, explica.

Novos negócios de transporte

Com o tema “Verticais de inovação novos modelos de negócios: Integração do sistema de mobilidade, parcerias serviços centrados no cliente”, os especialistas Gabriela Barbosa Victor Mendes Pereira, representantes da Uber. falaram sobre os novos modelos de compartilhamento de transporte e as diversas possibilidades de oferecer mais conforto e agilidade ao passageiro nas suas viagens.

Com mediação de Murillo Negreiro, da Rocketseat, os especialistas também apresentaram a experiência da Uber em todo o mundo na prestação de serviço integrado com parcerias com outros modais e também com empresas de serviços e produtos.

Uma dessas parcerias será está em fase de estudos com a CPTM para instalação de pontos de embarque nas estações, para facilitar a integração do passageiro do trem com o transporte por aplicativos melhorando a experiência dos usuários em seus deslocamentos.

Transporte Inteligente

Para encerrar a rodada de debates do primeiro dia, Fernando Ribeiro, professor do Centro Universitário FEI, apresentou a palestra ITS (Intelligent Transport System) e microssimulação computacional de tráfego.

De acordo com o professor, a microssimulação computacional é capaz de simular o comportamento e a mobilidade de pessoas, veículos e bicicletas, por exemplo, dentro de locais específicos dentro de uma cidade, como uma estação de trem. “Ela é capaz de nos ajudar na previsão de alterações que resultem em benefícios reais ao sistema. Uma importância fundamental é a geração de economia porque podemos ser mais assertivos na hora de projetar e construir por conta das informações vindas disso”, explicou.

Um eventual aumento na demanda de passageiros em uma estação pode ter seus resultados previstos em uma microssimulação, mostrando a necessidade de aumentos de áreas de desembarque, escadas, elevadores e passarelas. Em resumo, Fernando Ribeiro acredita que o maior número possível de informações, que podem ser obtidos com essas tecnologias, é fundamental na tomada de decisões que beneficiem os passageiros de uma grande empresa, como a CPTM.

“Devemos ser precisos na introdução dessas mudanças por meio da quantidade e qualidade das informações. Precisamos simular modelos com as mudanças que devem ser feitas e avaliar os resultados que podem ser gerados, ver se eles têm aderência com a tomada de decisão futura. Precisamos ter em mãos todos os benefícios para tomar a melhor decisão”, explica.

Além disso, o professor acredita que a tecnologia consiste em saber o que uma pessoa ou um grupo é capaz de fazer com o próprio conhecimento, e como é possível inovar a partir disso. “Por muitos anos escolas de engenheiros resolveram problemas totalmente conhecidos e equacionados. E os novos? Esse é o principal passo no processo de inovação. Na prática de ensino a gente precisa se deparar com problemas que ainda não têm solução e usar a tecnologia para poder ter uma ideia melhor de como resolver.”

Por fim, o professor da FEI apresentou projetos feitos pelos alunos, como o uso de drone e escaneamento a laser de uma estação de trem no Rio de Janeiro. Sobre o hackathon que irá finalizar a Semana da Inovação da CPTM, Fernando descreveu a maratona como uma “oportunidade sensacional”.

“Desenvolvem, aprofundem o que for preciso na área de mobilidade. O Brasil é carente em infraestrutura de tudo. Se envolvam, criem ideias, complementem as que já existem. A gente sempre tem que apostar na tecnologia e a nossa tecnologia é o nosso conhecimento. Não tenham medo”, finalizou.

Programação completa

Para acompanhar as discussões e reflexões da semana de inovação, basta acessar os canais oficiais da CPTM (YouTube ou Facebook).

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