O que o pós-pandemia reserva para o setor de transporte rodoviário?

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Terminal Tietê
Foto: Gilson R. Júnior

A pandemia chegou repentinamente e mudou o modo de operação de inúmeras empresas. E, com o setor de turismo, o impacto foi ainda maior, devido às diversas restrições e regras de isolamento social que fizeram as pessoas ficarem em casa e mudarem seus planos. Com isso as reservas em hotéis e passagens de viagens começaram e ter um alto índice de cancelamento e de queda nas vendas, fazendo com que inúmeras empresas do setor, até mesmo as com longo tempo de existência, sentissem a força desse “furacão”.

No transporte rodoviário as vendas despencaram, chegando a atingir queda de 90%, entre março e abril de 2020. Além disso, vimos nosso dia-a-dia passar por inúmeras adaptações talvez nunca antes imaginadas, como o distanciamento entre poltronas dentro dos ônibus, inclusão de cortinas extras para uma proteção maior dos espaços entre os passageiros, álcool em gel dentro dos veículos, uma maior frequência e rigidez na limpeza, além do uso obrigatório de máscaras durante a viagem. O setor adotou diversas medidas para manter a sua atividade, que é essencial para a mobilidade do país, de uma forma segura e com qualidade.

Todo esse cuidado foi notado pelo consumidor, mesmo que as vendas online de passagens tenham caído 39% no ano, após o primeiro impacto o setor foi apresentando uma retomada gradual entre maio e dezembro de 2020 de 40%, em média, ao mês. Isso se deu principalmente pela flexibilização das medidas de segurança no decorrer do ano. Em 2021, com a chegada de vacinas ao país, esse crescimento se manteve, após a segunda onda da doença. Apenas no 2º trimestre deste ano a emissão de passagens online cresceu mais de quatro vezes em relação a 2020.

E falando sobre as novas perspectivas, o uso de tecnologia e digitalização de alguns processos antes mais burocráticos é um dos pontos positivos trazidos pelo momento vivido. A pandemia, neste sentido, nos fez repensar uma série de premissas do nosso cotidiano, uma das coisas que podemos nos questionar é; com a evolução do trabalho remoto, será que o transporte rodoviário de passageiros passará a ter um público que antes não tinha? Com as pessoas morando mais longe do trabalho ou podendo trabalhar de qualquer lugar? Uma mudança que já começamos a ver no comportamento dos usuários, é o uso de ticket eletrônico, que avançou muito durante a pandemia, a quantidade de empresas que adotam o modelo para embarque duplicou neste período.

Enquanto isso, os embarques utilizando a tecnologia touchless apresentaram um crescimento de 78% no primeiro semestre de 2021, no comparativo com o mesmo período do ano passado. Atualmente cerca de 80% dos embarques são realizados com e-ticket.

Mas não foi só na hora de entrar no ônibus que a tecnologia intensificou seu uso dentre os usuários do transporte rodoviário. As compras de passagens online também cresceram com a pandemia. A digitalização de passagens que, em 2019, ficava na casa dos 12%, agora está em torno de 20% e esse número ainda pode crescer mais conforme os viajantes forem se adaptando ao digital. Em certo momento, eles vão perceber que é possível escolher uma rota e ter em mãos todas as viações que a operam, os dias e horários disponíveis e, principalmente, os valores mais atrativos, tudo em poucos cliques.

Isso já aconteceu antes com outras indústrias, como, por exemplo, a de delivery, quem não se lembra de pegar um imã preso na geladeira e discar para uma pizzaria para fazer a sua encomenda do jantar? Hoje em dia, comentar essa situação com um dos sobrinhos ou netos pode resultar até em piada e hábitos pra lá de ultrapassados. Mas, ainda bem que as indústrias evoluem e o transporte rodoviário já está nessa estrada e deve chegar ao destino em um tempo menor do que se esperava no pré-pandemia.

Acredito que assim que as viagens voltarem a acontecer de forma segura, passageiros que utilizavam outros meios de transporte vão optar pelo ônibus. Isso porque destinos próximos serão mais comuns em um primeiro momento e por ele conseguir chegar a lugares que o aéreo, por exemplo, não chega. Vale ressaltar que os ônibus intermunicipais são capazes de ligar 97% do Brasil e suas inúmeras cidades, sejam elas grandes, médias ou pequenas.

E, além disso, diante da crise econômica ocorrida por conta da pandemia, famílias terão orçamentos menores para viagens, optando por uma modalidade que seja confortável e com menor custo para os momentos de diversão e lazer. Isso tudo dará visibilidade e oportunidade para esse transporte se tornar a primeira opção para muitos cidadãos brasileiros que buscam qualidade e segurança em suas viagens. Agora que já contei um pouco sobre o que o pós-pandemia reserva para o setor, deixo minha pergunta: qual será o seu destino quando tudo isso passar?

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