Brasil pode ser protagonista na transformação do setor para a mobilidade elétrica

Painel do Siemens Innovation Forum contou com representantes da Daimler e da Volkswagen Caminhões e Ônibus para debater a transformação do mercado brasileiro de veículos; Indústria ressalta a importância de o Brasil ter uma diretriz; Benefícios da eletrificação têm impacto direto nos grandes centros urbanos e é base para as cidades inteligentes

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Carro elétrico

Foto de Ed Harvey no Pexels

Um dos maiores mercados de veículos do mundo, o Brasil tem grande potencial de ser protagonista na transformação do setor para a mobilidade elétrica. Mas para não perder essa oportunidade, o país precisa ter diretrizes claras para nortear esse avanço para beneficiar governo, indústria e a sociedade como um todo. Essa foi a conclusão de executivos do mercado automotivo durante o painel “Mobilidade urbana: o futuro é elétrico” que ocorreu no dia 25 de agosto de 2021, durante o Siemens Innovation Forum.

Tendência em todo o mundo, a eletrificação dos veículos tem crescido no mercado brasileiro, mas a falta de infraestrutura voltada para o carregamento de carros, ônibus e caminhões é um dos principais desafios a ser superado para uma expansão mais rápida do segmento. Incentivos, limites em relação à produção de veículos a combustão e o aproveitamento da matriz energética renovável na transição para a mobilidade elétrica são outros pontos a serem estudados nas medidas voltadas para o setor.

“Seria importante ter uma diretriz de como queremos estar no futuro de modo que a indústria possa se preparar também. Por isso que o governo precisa endereçar esse mercado por meio de marcos regulatórios ou diretrizes sobre como planeja o desenvolvimento da eletromobilidade no país”, comentou Rodrigo Chaves, CTO da Volkswagem Caminhões e Ônibus (VWCO).

“A transformação para a mobilidade elétrica vai acontecer de qualquer maneira, até pelas tendências globais. Mas é importante que tenha uma regulamentação, uma política para ter objetivos claros para iniciativas no segmento como controle de emissões de poluentes”, afirmou Sérgio Magalhães, Diretor-Geral de Ônibus América Latina da Daimler, que comparou o cenário interno a outros mercados. “Países da Europa já estão mais à frente e no Brasil ainda não está muito claro como o país quer se portar nesse cenário mundial”, completou.

Os participantes citaram ainda as diversas vantagens geradas pela mobilidade elétrica para o mercado e a sociedade, como: eficiência energética; facilidade de manutenção e custos reduzidos pelo número bem menor de peças do motor; veículos sem ruídos, possibilitando a realização de serviços à noite; e redução na emissão de poluentes na atmosfera. “Além de todos esses benefícios, essa transição vai contribuir ainda para a saúde pública pela melhora do ar nos grandes centros”, apontou Magalhães.

O painel foi moderado pelo Diretor da Unidade de Negócios de Sistema de Distribuição de Energia da Siemens, Fábio Koga.

Base para as cidades inteligentes

A eletromobilidade também foi um dos temas comentados no painel “Cidades Brasileiras Inteligentes, Sustentáveis e Inclusivas”, que foi moderado pelo CEO da área Smart Infrastructure da Siemens, Sérgio Jacobsen. Entre os participantes esteve a idealizadora da plataforma Connected Smart Cities & Mobility, Paula Faria, que ressaltou sobre a importância da eletrificação dos veículos para o bem-estar das pessoas nas grandes cidades.

“A qualidade de vida tão almejada nos grandes centros urbanos pode ser alcançada por meio de uma mobilidade inteligente. Essa é uma agenda urgente para as cidades pois tem um impacto direto na vida das pessoas”, afirmou ela, ressaltando a redução nas emissões de poluentes com a transição dos veículos a combustão para os elétricos.

O painel contou com a participação do prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado, que colocou a eletromobilidade como um dos desafios a serem superados para uma melhor gestão da cidade. “É preciso agregar valor com empresas inovadoras que nos mostrem os caminhos para que no futuro não tenhamos somente ônibus movidos a combustível fóssil circulando por uma cidade”, comentou.

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