Estudo identifica cinco categorias de viajantes de ônibus no país e revela impacto da pandemia nos passageiros

Análise levou em conta 1.810 comentários nas redes sociais a respeito de viagens rodoviárias em todo o país; Covid-19 motivou, em média, 30% dos comentários mensalmente

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Ônibus G7
Foto: Rafael H./Ônibus Brasil

No interior ou nas capitais, o ônibus é o meio de transporte mais difundido. É possível chegar de ônibus à maioria dos 5.570 municípios do país. Portanto, um estudo da Marcopolo, realizado pela Orbit DataScience, acaba de identificar cinco categorias de viajantes de ônibus brasileiros, bem como o impacto da pandemia de Covid-19 na vida destes passageiros.

O projeto Marcopolo – Estudo de Hábitos de Consumo revela que, mesmo com as preocupações sanitárias, as viagens de ônibus são as preferidas: 64% dos comentários que comparam ônibus e avião, dizem preferir viajar via terrestre. E são recorrentes as manifestações de saudades de pegar a estrada por este meio de transporte, segundo o levantamento.

Com uma base inicial de quase 9 mil comentários, a análise levou em conta uma amostra de 1.810 comentários realizados nas principais redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter) a respeito de viagens intermunicipais de ônibus, de janeiro e setembro de 2020. Esses comentários foram classificados em 2.395 opiniões, sendo 1006 positivas, 784 negativas e 605 referentes às questões sanitárias.

A partir destas informações, o levantamento identificou os seguintes clusters (grupos) de opiniões dos passageiros:

Reflexivos

Compõem o principal cluster de opiniões positivas sobre viajar de ônibus. Estas opiniões mencionam, sobretudo, o gosto por olhar pela janela e refletir durante a viagem, muitas vezes associando o hábito ao consumo de músicas ou vídeos no percurso. Nas categorias também criadas pelo estudo como “Quero viajar de ônibus” e “Tenho saudades de viajar de ônibus”, os passageiros reflexivos são os mais saudosistas. Correspondem ao principal cluster positivo do estudo.

Executivos

São passageiros que gostam de viajar de ônibus, mas apreciam muito mais a produtividade do que a introspecção. Este cluster é expressivamente menor que o dos “reflexivos”, mas se une em torno do gosto de viajar de ônibus por características como as tomadas nos assentos, o Wi-Fi e as cabines executivas e leitos.

Inseguros

Trata-se do principal cluster de comentários negativos sobre viajar de ônibus. As opiniões abordam o medo da viagem relatado pelos passageiros, muitas vezes relacionado ao incômodo gerado por outros passageiros. A análise identificou ainda que o medo de viajar “sozinha” foi mencionado 10 vezes mais do que o medo de viajar “sozinho”, indicando, a partir do gênero do adjetivo, a predominância de mulheres neste cluster. Os comentários “tenho medo de assédio em ônibus” foram mencionados quatro vezes mais do que “tenho medo de assalto em ônibus”.

Desconfortáveis

É formado por comentários de passageiros que relatam cansaço, desconforto e enjôo durante suas viagens. Este cluster tem como principal órbita a opinião “É ruim viajar muitas horas de ônibus”, demonstrando que o tempo das viagens é o principal motivo das reclamações, seguida mais distantemente pelos comentários de que os assentos são desconfortáveis.

Exigentes (Covid-19)

Este grupo é formado por comentários emitidos por pessoas que participaram pontualmente da discussão sanitária envolvendo as empresas de ônibus durante a pandemia, ainda que estas pessoas não cultivem o hábito de falar sobre viagens rodoviárias em outros momentos em suas redes sociais. Envolvem opiniões sobre a necessidade do uso da máscara ou sobre protocolos de biossegurança para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

“O estudo revela que as viagens rodoviárias seguem prioritárias na vida dos brasileiros, pela conveniência, custo e facilidade de acesso às cidades de todo o país, em comparação com os demais meios de transporte. Este é o jeito brasileiro de viajar. Essa análise nos mostra também que temos desafios a vencer, como a questão da insegurança, por exemplo, que requer iniciativas de diversas frentes. O objetivo do estudo é justamente termos insights que nos levem a aprimorar cada vez mais a mobilidade no Brasil”, afirma Ricardo Portolan, diretor de Operações Comerciais MI e Marketing da Marcopolo.

O impacto da pandemia

Em março do ano passado, com a declaração da pandemia pela Organização Mundial da Saúde, 36% dos comentários nas redes sociais sobre viagens de ônibus já faziam menção ao tema e ao contexto sanitário, considerando-se a amostra do estudo. O impacto foi duradouro: em todos os meses analisados, a preocupação em relação ao contágio provocou, em média, 30% das postagens.

As manifestações quanto ao uso de álcool em gel e a higienização dos ônibus como medidas para evitar a contaminação, predominantes entre março e abril, deram lugar à exigência do uso de máscara, do distanciamento social e da diminuição da lotação nos meses seguintes.

Durante todo o período analisado, dos 605 comentários manifestando preocupações sanitárias, 61% se referiram a medidas de segurança por parte das empresas de ônibus. As reclamações quanto à aplicação dos protocolos tiveram pico no mês de setembro, com o fortalecimento da retomada das atividades comerciais.

Ao mesmo tempo, a preocupação com as medidas individuais também foi grande: 25% das opiniões manifestadas exigiam o uso de máscara e o cumprimento das medidas de proteção pessoais para evitar a propagação do vírus.

Principais resultados

As opiniões mais comuns sobre o transporte rodoviário fazem menção a viagens de longa distância e modos de aproveitar o tempo gasto na viagem para trabalhar, ler, ouvir música ou, simplesmente, descansar.

Conheça os principais resultados do estudo Marcopolo – Estudo de Hábitos de Consumo, relacionado às opiniões dos brasileiros sobre viajar de ônibus:

Principais opiniões

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