Associações de Engenharia e Transporte defendem projeto People Mover no Aeroporto de Guarulhos

Entidades pedem rápido início das obras ao Governo Federal

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Linha 13-Jade Estação Guarulhos-Aeroporto
Estação Guarulhos-Aeroporto (Foto: Eduardo Silva)

As principais associações de empresas de transporte público e sustentável do Brasil enviaram no final de janeiro um ofício ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, no qual defendem o início imediato das obras de instalação do Projeto People Mover no Aeroporto de Guarulhos (leia o ofício na íntegra no final do post).

O People Mover é um sistema de trens elétricos de média capacidade previsto para integrar os três terminais de passageiros do aeroporto à Linha 13-Jade da CPTM – e, portanto, à rede metroferroviária da Grande São Paulo. É um serviço adotado nos principais aeroportos do mundo.

O documento é assinado pelo presidente do Instituto de Engenharia, Eduardo Lafraia, e mais seis entidades, entre elas a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) e Associação Nacional de Transporte Público (ANTP). A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) também apoia o documento.

O ofício também foi enviado ao secretário de Aviação Civil, Ronei Saggioro Glanzmann, ao presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Juliano Alcântara Noman, e à presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Arraes.

As entidades elogiam a decisão do ministro Tarcísio de Freitas, anunciada em novembro, de incluir o Projeto People Mover- Automated People Mover (APM) no rol de obrigações contratuais da concessionária GRU Airport.

Mas apontam “algumas preocupações com recentes manifestações divulgadas na mídia, que tanto podem prejudicar o Erário quanto afetar todo o cronograma de modernização do acesso ao sítio aeroportuário, já bastante atrasado”.

“Cabe destacar a importância econômica e social do People Mover para o Aeroporto de Guarulhos, porta de entrada do país”, acrescenta o texto.

O documento menciona os vários efeitos positivos do atual Projeto People Mover para a engenharia nacional de transporte público de baixa emissão de poluentes e para a geração de emprego e renda entre profissionais qualificados. E conclui:

“Não é preciso sublinhar, também, a frustração que decorreria de novo adiamento na oferta de um serviço aguardado há muitos anos pelos passageiros da Grande São Paulo e tão relevante para a modernização do maior aeroporto da América Latina”.

O início imediato das obras do People Mover em Guarulhos interessa tanto ao governo federal quando ao Governo do Estado de São Paulo, além dos passageiros e funcionários do aeroporto.

No dia 28 de janeiro, o governador João Doria convocou uma reunião com o presidente executivo da concessionária do aeroporto, no qual fixou prazo até 31 de março para assinatura do contrato e início da instalação do modal. Dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil também participaram.

O People Mover completará a integração do aeroporto à malha do transporte público metropolitano. Essa integração permitirá que os passageiros se desloquem do Centro de São Paulo até os terminais de embarque, ou vice-versa, pelo Expresso Aeroporto da Linha 13-Jade, conectado à rede de metrô.

Com o People Mover, esse trajeto poderá ser feito em cerca de 50 minutos, com conforto e confiabilidade, e sem que o viajante tenha de enfrentar, de carro particular ou de táxi, o trânsito frequentemente congestionado da Marginal Tietê.

Ao Ministério da Infraestrutura convém que o People Mover seja instalado pelo menor preço possível, asseguradas as qualificações técnicas necessárias. Isto porque o valor da obra será abatido da outorga devida pela concessionária ao Governo Federal.

Essa é também a posição da Agência Nacional de Aviação Civil e do Tribunal de Contas da União.

Já para o Governo do Estado de São Paulo, o início imediato das obras do People Mover é essencial para viabilizar o plano de expansão da Linha 13-Jade, na qual já investiu R$ 2,3 bilhões.

O plano incluía também um serviço de trens de alto padrão até o aeroporto, com despacho automático das bagagens na Estação da Luz. A demanda do serviço, porém, está abaixo da expectativa do Governo do Estado de São Paulo.

Isto porque o projeto original da Linha 13-Jade previa uma estação no Terminal 2 do aeroporto, que não se concretizou. A estação acabou sendo construída a cerca de 2 quilômetros das áreas de embarque.

Hoje, esse pequeno trecho final é coberto por uma pouco prática linha de ônibus a diesel, o que obriga o passageiro da Linha 13-Jade que se destina ao aeroporto a deixar o trem, descer até uma plataforma com suas malas e aguardar um ônibus que o levará ao terminal escolhido. O tempo total do percurso pode aumentar em até 25 minutos.

Ofício
Ofício
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