Após liberação, empresas contratadas dão início às obras da Linha 17-Ouro

O projeto é o segundo a operar com monotrilho em São Paulo e o primeiro no país a contar com a certificação global independente de segurança

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Obras Linha 17-Ouro
Obras da Linha 17-Ouro (Foto: Márcia Alves/Metrô de São Paulo)

As obras da futura Linha 17-Ouro do monotrilho, que deve contar com três trechos, já iniciaram neste mês, após a liberação do Tribunal de Justiça, em setembro, que pôs fim a um imbróglio judicial entre duas outras empresas de engenharia envolvidas na licitação.

O prazo para conclusão é de 38 meses e deve ser entregue no início de 2024.

O contrato entre o Metrô de São Paulo e o Consórcio BYD Skyrail, responsável pelo fornecimento dos trens e alguns sistemas, havia sido firmado em abril deste ano, mas foi interrompido devido a apelos judiciais.

Após a liberação do Tribunal de Justiça, em setembro, a BYD contratou a alemã, TÜV Rheinland, para realizar os serviços de integração de sistemas e certificação global da Linha 17-Ouro, conforme o edital. Serão 14 trens para operar inicialmente em oito estações.

O projeto é o primeiro em andamento no país que vai contar com certificação acreditada e global de segurança para os sistemas, executadas por uma empresa totalmente independente.

Também será o segundo monotrilho operando na cidade, sucedendo a Linha 15-Prata do monotrilho, que iniciou os serviços em 2014.

A TÜV Rheinland ficará encarregada de verificar o funcionamento e a segurança dos sistemas integrados, entre eles a sinalização, que controla velocidade e aceleração do trem; fornecimento de energia; telecomunicações; aparelhos de mudança de via; comunicação com operadores e centros de controle, entre outros.

“Serão mais de 300 interfaces avaliadas entre os diferentes sistemas para garantir o pleno funcionamento do monotrilho. A auditoria dos principais sistemas na linha será realizada visando garantir os requisitos de Nível de Integridade da Segurança (Safety Integrity Level) que, em alguns casos, são SIL 4, nível mais estrito estabelecido pelas normas brasileiras que foram baseadas no conjunto de normas internacionais CENELEC EN 50126, 50128 e 50129”, detalha Marcos Camelo, gerente da área de ferrovias da TÜV Rheinland Brasil.

Plano de Expansão

O primeiro trecho do monotrilho, que terá uma extensão de 7,7 quilômetros operacionais, interligará a Linha 9-Esmeralda da CPTM na Estação Morumbi, com a Linha 5-Lilás de metrô (operada pela ViaMobilidade) na Estação Campo Belo e o Aeroporto de Congonhas, na estação Congonhas.

O Trecho 2, que deveria ligar a estação Jardim Aeroporto, parte da Linha 17-Ouro, com a estação Jabaquara, pertencente à Linha 1-Azul do Metrô, segue sem programação definida.

O Trecho 3, que previa levar o monotrilho após o Morumbi, atravessando o Rio Pinheiros, passando pela comunidade do Paraisópolis, até a estação São Paulo-Morumbi, onde se conectaria com a Linha 4-Amarela, também não deve se concretizar nesse primeiro momento.

De acordo com a mais recente previsão oficial do Governo do Estado de São Paulo, apenas o Trecho 1 deve ter um custo de R$ 3,74 bilhões. Mais de R$ 1,4 bilhões serão financiados pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), por meio de um empréstimo firmado entre a instituição e o Governo do Estado do Estado de São Paulo. Já a demanda estimada para a operação comercial é de mais de 171 mil passageiros por dia útil.

Para Marcos Carmelo, esse é um projeto inovador, não somente por envolver uma construção de alta tecnologia, como é a do modal monotrilho, mas porque o cidadão poderá contar com um transporte moderno, com qualidade e segurança.

“Com o serviço de integração e certificação global dos sistemas, realizada de forma independente e imparcial, é possível garantir que haja mitigação de problemas entre os sistemas e maior segurança e, com isso, transmitir mais agilidade na implementação do empreendimento, segurança aos operadores e também aos usuários que utilizarão o sistema diariamente”, conclui o executivo.

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