Aliança ZEBRA anuncia a expansão de ônibus elétricos na América Latina

Fabricantes e investidores assinaram um compromisso com a Aliança ZEBRA (Zero Emission Bus Rapid-deployment Accelerator) para expandir as frotas de ônibus de transporte público com emissão zero no Brasil, Chile, Colômbia e México

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Ônibus elétrico Transwolff
Foto: Divulgação/SPTrans

A Aliança ZEBRA apresentou nesta quinta-feira, dia 10 de dezembro de 2020, a coalizão de 17 novos investidores e fabricantes de ônibus que assumem, a partir de agora, o compromisso de trazer novos produtos e financiamento para aumentar a frota de ônibus zero emissões na América Latina durante os próximos 12 meses e além.

A aliança internacional está trabalhando de forma conjunta para conquistar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em investimentos de modo a viabilizar a inclusão de mais de 3.000 ônibus elétricos nas cidades latino-americanas.

Como parte deste compromisso, fabricantes irão, dentro de 12 meses, expandir seu fornecimento de ônibus elétricos para a América Latina, focando especificamente em cidades do Brasil, Chile, Colômbia e México, enquanto os financiadores disponibilizarão fundos de investimento para projetos de ônibus zero emissões.

A Aliança ZEBRA é uma parceria liderada pela rede C40 Cities e o Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), com financiamento da P4G.

Entre os participantes estão os fabricantes e distribuidoras de veículos Andes Motor, BYD, CreattiEV SAS, Foton, Higer, Sunwin, Vivipra, and Yutong; e os investidores AMP Capital, ARC Global Fund, Ascendal, Ashmore Management Company, EDP Brasil, Enel X, John Laing, NEoT, além do financiador BNDES, o banco de desenvolvimento brasileiro.

A substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis por ônibus zero emissões leva a um ar mais limpo e menos emissões de gases de efeito estufa, especialmente se os ônibus forem abastecidos com eletricidade vinda de fontes de energia sustentáveis.

Nas quatro cidades-chave onde os sócios ZEBRA são mais ativos, o transporte é responsável por uma grande porcentagem das emissões de gases de efeito estufa: 71% na Cidade do México, 43% em Medellín, 79% em Santiago, e 61% em São Paulo – todas cidades cujo sistema de transporte público depende fortemente da tecnologia ultrapassada dos ônibus movidos a diesel.

Segundo Thomas Maltese, porta-voz da C40, as cidades estão determinadas a fazer com que as suas frotas de transporte público sejam zero emissões. “Os compromissos anunciados hoje irão ajudar a atender à demanda das autoridades e operadores de ônibus, superando duas das principais barreiras para a implantação de ônibus com zero emissões: a oferta limitada de veículos e a falta de investimentos. A Aliança ZEBRA irá garantir que a região tenha cidades mais limpas e saudáveis, sejam gerados novos empregos sustentáveis e que seja acelerada a adoção de soluções equilibradas para a crise climática”.

Hoje, a América Latina tem mais de 1.900 ônibus elétricos, que evitam a emissão de mais de 218.000 toneladas de CO2 na atmosfera anualmente. Porém, estes veículos ainda representam menos de 1% do total da frota de ônibus da região, demonstrando a urgência desta transição e a importância dos compromissos assumidos por fabricantes e investidores.

A longo prazo, os custos operacionais e de manutenção de ônibus elétricos são significativamente mais baixos do que aqueles de veículos movidos a combustíveis fósseis.

Em Santiago, o operador privado Metbus constatou que os custos operacionais e de manutenção de sua frota de mais de 400 ônibus elétricos são, respectivamente, 70% e 37% mais baixos do que os custos equivalentes aos de um veículo movido a diesel.

Modelos de negócio inovadores e mecanismos financeiros estão sendo desenvolvidos e aplicados para tornar a implantação dos ônibus elétricos em grande escala possíveis, como a separação entre propriedade e operação dos ônibus, observada em Santiago; o financiamento concessional em Medellín; ou a separação entre a posse do chassis do ônibus e a posse da bateria, vista em São Paulo.

Modelos de negócios como estes – onde fabricantes e investidores têm um papel chave – podem ajudar municípios e operadores privados a superar a falta de capital e a dificuldade em acessar crédito, reduzindo os riscos financeiros. Ao longo do tempo, estes investimentos continuarão a expandir a implantação de ônibus elétricos em toda a região.

“Os compromissos de hoje representam uma nova direção para o transporte público na América Latina. A partir do momento em que se estabelece esta nova confiança de que o mercado está pronto para fornecer ônibus zero emissões, eu acredito que as autoridades públicas irão achar mais simples seguir esta via para todos os futuros programas de renovação de frotas”, explica Ray Minjares, do Conselho Internacional de Transporte Limpo.

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