2020: o ano que valeu por uma década para a mobilidade e tecnologia

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Mobilidade 2020
Imagem de Manuel Alvarez por Pixabay

No final de 2019, estive na Cidade do México para acompanhar as novidades do Intertraffic. Desde 1972, este é o maior evento global de infraestrutura, gestão de tráfego e segurança do mundo.

Naquela oportunidade, 48% das conferências falaram sobre mobilidade.

O tema é um ponto de atenção latente, especialmente para a América Latina. No último ano, a Inrix produziu o ranking Global Traffic Scorecard, que aponta as cidades com tráfego mais caótico. E não há nenhuma surpresa em constatar que quatro das sete cidades estão em países latinos (Bogotá (3°), Cidade do México (4°), São Paulo (5°) e Rio de Janeiro (7°).

A IDOM, empresa que presta serviços de consultoria, engenharia e arquitetura, apresentou no evento um estudo sobre os sistemas de gerenciamento de tráfego em São Paulo e concluiu que se o tempo de deslocamento diminuísse em 10% poderia haver uma economia de US$1 milhão ao dia.

Se no “longínquo” 2019 já era fundamental pensar em soluções relacionadas à mobilidade, em 2020 isso se tornou primordial. Afinal, hoje há risco de morte caso as medidas de isolamento social não sejam cumpridas à risca. Mas, infelizmente, as condições do transporte público e outros modais não ajudam em nada na maioria destes países.

Um estudo realizado pela Unifesp, em parceria com Fundação Tide Setubal concluiu que, nos bairros com maior número de usuários de transportes coletivos na cidade de São Paulo, 80% das mortes por Covid-19 podem ter relação direta com o deslocamento.

Para atenuar os riscos, temos visto na Europa exemplos de cidades que construíram ciclovias em meses, além de transformarem vias antes restritas a carros e ônibus em passagens exclusivas para pedestres e ciclistas. Até agosto, haviam sido anunciados 2.315 quilômetros de ciclovias, com 1.000 já finalizados.

No Brasil, notam-se aumentos constantes nas vendas de bicicletas, com o ápice em julho, quando as vendas subiram 118% no comparativo ao mesmo período do ano passado.

Algo que irá impactar nossas vidas no futuro é a popularização do 5G, que promete internet até 100 vezes mais veloz que o 4G, além resposta em tempo real. Com a pandemia, as telecomunicações ganharam ainda mais importância, por conta das adaptações e acelerações que foram necessárias em diversos setores da economia.

Entretanto, alguns percalços poderiam ter sido evitados se tivéssemos uma rede já consolidada de 5G no país, o que ainda não é o caso. É necessário, por exemplo, que a área de cobertura de torres aumente consideravelmente, além da resolução de uma série de burocracias legais.

Não dá para negar que a tecnologia poderá revolucionar a forma como enxergamos a mobilidade no Brasil. Não somos referência em MaaS (mobility as a service), smart cities ou carros autônomos. Mas, o 5G nos traz a possibilidade em tornar a mobilidade muito mais eficiente, através de tecnologia e integração.

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