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Integração tarifária e gratuidades são o desafio do setor

Foto: AEAMESP

Como compatibilizar a integração tarifária dos sistemas de transporte público contemplando as gratuidades, com empresas públicas e privadas participando simultaneamente das operações em períodos de queda do volume de passageiros e consequente perda de receita, tudo isso sem comprometer a qualidade dos serviços prestados. E onde buscar recursos para subsídios em tempos de recessão econômica sem aumentar impostos.

Esses desafios foram colocados na 22ª Semana de Tecnologia Metroferroviária no painel “Os desafios da Integração”, coordenado pelo jornalista da Folha de São Paulo, Alencar Izidoro e realizado ontem (15/09) do qual participaram o coordenador do Grupo de Transporte Mobilidade e Logística do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) e vice presidente Honoráio da Associação Nacional de Transporte Público (UITP), Jurandir Fernandes, a diretora da PTV Brasil, Maria Inês Garcia Lippe, empresa de softwares de simulação de custos tarifários em sistemas multimodais e o presidente da ViaQuatro, concessionária da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, Harald Zwetkoff.

Harald Zwetkoff acrescentou ao lema do Congresso “Investir e Avançar com Eficiência” a palavra Sustentável, destacando que a empresa que dirige e que completa 10 anos em novembro próximo, é autossustentável com a receita da tarifa. A empresa recebe em média R$ 2,08 por passageiro transportado, sendo que 90% são de tarifa integrada com outras linhas, trem ou ônibus. Essa receita cobre os custos, investimentos, financiamentos, impostos e ainda remunera os investidores com o lucro. Pesquisas de satisfação, periódica por exigência contratual, resultou em nota 93,8 de muito bom e bom.

A Linha 4-Amarela transporta 700 mil passageiros por dia e oferece capacidade para um milhão, que seriam atendidos com as quatro estações que ainda não foram entregues e caso fosse feita uma integração dos ônibus com a linha 4, que rodam com poucos passageiros em paralelo com o metrô. Citou, por exemplo, uma viagem entre Butantã e Luz que leva 16 minutos enquanto o ônibus demora mais de meia hora.

Jurandir Fernandes, ex-secretário de Estado de Transportes Metropolitanos, criticou a gratuidade concedida aos idosos a partir dos 60 anos e não 65, sem limite de renda, que dobra o número de beneficiados. Maria Inês Garcia Lippe informou que a tarifa zero para estudantes faz aumentar o subsídio do poder público. Ela explicou que um terço dos estudantes normalmente vai à escola á pé, por causa da gratuidade, eles optam por usar o transporte coletivo o que resulta em subsídio às empresas operadoras.

Jurandir Fernandes lembrou que até os anos 1970 o valor da tarifa cobria os custos do transporte. A partir dos anos 1980, os reajustes salariais mais baixos e a elevação dos custos do transporte, devido à extensão das linhas de ônibus e do crescimento das cidades provocou defasagem e deterioração da qualidade dos serviços. Em dezembro de 1985 foi criado o vale transporte que contemplou o interesse de todos. Mas o transporte coletivo tem grande apelo político e logo começaram as gratuidades, e os subsídios para compensar os benefícios.

Em São Paulo, a integração tarifária permitia a troca de até três meios de transporte no período de duas horas. Atualmente, o período aumentou para três horas e até quatro trocas com o valor de uma tarifa. E o que se vê nas campanhas para prefeituras são aumentos de gratuidades até isenção de tarifas.

O desafio é obter recursos das prefeituras e governos estaduais para cobrir os custos. Quando os recursos se escasseiam para as empresas públicas a qualidade dos serviços e os investimentos caem. O desafio é encontrar meios de reduzir custos para compensar o exagero das bondades, como eliminar cobradores e aumentar a produtividade.

A diretora da filial Brasil da PTV, empresa especializada em softwares de simulação de tarifas para planejamento de sistemas e modelagem de tráfego em sistemas multimodais falou sobre seus estudos que permitem avaliar os impactos das gratuidades, quanto arrecada e quanto deixa de arrecadar e apura os custos da gratuidade total, as fontes de receita para Estados e Municípios. Entre os modelos de simulação têm os que trata do impacto da variação da tarifa em função da demanda.

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