Maio Amarelo mobiliza cidades brasileiras e do mundo por trânsito seguro

Balanço mostra que movimento, criado pelo OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária, gerou atividades em todos estados brasileiros e em 23 países; redes sociais também foram usadas

298
trânsito seguro conscientização no trânsito

O movimento Maio Amarelo encerra as atividades de 2016 com balanço altamente positivo. De Norte a Sul do Brasil, e em outros 23 países dos cinco continentes, a sociedade atendeu ao apelo de mobilizar-se por um trânsito mais humano e seguro e, assim, contribuir para salvar vidas nas vias e rodovias.

Monumentos, prédios, pontes e dezenas de outros equipamentos públicos e privados iluminados em amarelo deram o tom do alerta sobre a necessidade de redução do número de mortos e feridos graves no trânsito.

O Cristo Redentor, no Rio Janeiro, o Palácio do Planalto, Itamaraty, o Congresso Nacional, em Brasília, vestiram-se de amarelo neste mês pela conscientização. Prefeituras de várias cidades, parques, estádios de futebol, entre outros, também.

Mais do que iluminação, o Maio Amarelo, foi adotado por entidades, órgãos públicos, associações, empresas e comunidades que desenvolveram atividades para alertar a população em geral sobre a necessidade de práticas seguras para evitar o que pode ser chamado de ‘epidemia’ de mortes no trânsito.

O apoio veio, igualmente, de artistas, esportistas e de celebridades. Dez pilotos da Stock Car gravaram e disponibilizaram vídeos em que reafirmavam a necessidade de práticas seguras de direção e a adesão ao Maio Amarelo. Entre eles, Luciano Burti e Rafael Suzuki.

Equipes de futebol, como o Atlético Mineiro, e Vasco da Gama, entraram em campo para as partidas finais dos campeonatos estaduais levando faixas do movimento. Atores, atrizes e jogadores de futebol, igualmente, posaram com a camisa do Maio Amarelo.

Nas 372 cidades de todos os estados brasileiros que deflagraram o movimento, as ações de conscientização foram as mais diversificadas. E variaram desde vestir roupa amarela no trabalho até exibição de vídeos sobre o Maio Amarelo em cinemas, canais de tevê, sites, facebook, e demais plataformas das redes sociais.

As caminhadas, os passeios ciclísticos, discussão em escolas, colagem de adesivos do laço amarelo, símbolo do movimento, blitze educativas nas vias, atos solenes, apresentações e intervenções teatrais, painéis luminosos nas estradas estiveram entre as ações de divulgação do movimento pela sociedade. Ao todo, durante o mês, 1119 atividades no Brasil foram informadas à coordenação do movimento.

Criado há 3 anos pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, o movimento Maio Amarelo contou neste ano com 1050 apoiadores no país. Entre eles, 164 entidades. 54 prefeituras e 584 empresas privadas.

Mas por ser um movimento da sociedade para a sociedade, como define José Aurélio Ramalho, diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança, a abrangência foi maior, uma vez que interessados em aderir não têm, necessariamente, de informar a coordenação sobre ações que realizem.

No mundo

A adesão ao movimento foi significativa também nos 23 países que realizam atividades de conscientização com o tema. Na Holanda, ações educativas e exibição de vídeos, organizadas pela La Prévention Routière Internationale, discutiram a questão sobre as mortes em acidentes de trânsito.

Do mesmo modo, na Austrália, monumentos foram iluminados. No país houve também exibição de vídeos, a deflagração da campanha “Stop Driving Blind” (pare de dirigir cego), além de extensa agenda de atividades, organizadas pelo governo do país.

O Maio Amarelo foi também tema de fóruns e palestras, além de caminhadas, produção de site, de vídeos e ações educativas no México.

Na América do Sul, além do Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai também se destacaram nas ações de conscientização propostas pelo movimento. Nos três países atividades variadas levaram a proposta do Maio Amarelo para a população.

E a aceitação foi imediata, com participação marcante dos moradores das localidades onde elas foram realizadas.

Crianças e adultos receberam a mensagem do Maio Amarelo por meio de campanhas educativas realizadas em Benin, na África ocidental. Assim como em Moçambique, na África oriental.

Nas redes sociais

O Maio Amarelo movimentou também as redes sociais. A página oficial do movimento no Facebook obteve, desde que foi publicada, em 1º de maio, 45 mil curtidas. Seu alcance foi, no mesmo período, de 1,5 milhões pessoas, com envolvimento de 250 mil delas, que representam, respectivamente, aumento de 175% e de 800% em relação ao ano passado.

Também no Facebook a página oficial do Maio Amarelo teve 27 mil visualizações, com aumento de 1200% quando comparado ao ano passado. Organicamente ela acumulou 15 mil novas curtidas, que indicam aumento de 900% em relação a 2015.

Segundo monitoramento feito nas redes sociais, as mulheres com idade entre 25 e 34 são as que mais acessam a página no Facebook. E o dispositivo mais usado para isso são os celulares. Nessa rede social existem cerca de 70 outras páginas sobre a mobilização. E os vídeos com o tema Maio Amarelo também no Face obtiveram mais de 3 milhões de visualizações.

No Google, a busca pelo termo Maio Amarelo encontra 600 mil resultados. E aproximadamente 96 mil notícias, além de 40 mil vídeos sobre o movimento.

Já o site oficial do Maio Amarelo obteve 96 mil acessos desde o início de maio. Deste total, 74 mil são relacionados a pessoas diferentes que visualizaram 217 mil páginas contidas no site. A duração média de cada acesso foi de 3 minutos.

No Twibbon, 2,5 mil pessoas aderiram à campanha #EuSou+1 e colocaram na foto de perfil do Facebook, conforme proposta do Observatório Nacional de Segurança, criador do movimento.

Mortes no trânsito

O volume de acidentes fatais nas vias e rodovias brasileiras, como define o diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança, criador do Maio Amarelo, “é avassalador”. Eles foram responsáveis pela perda de mais de 43 mil vidas, das quais 7,8 mil de pedestres, em 2014, últimos dados oficiais disponíveis pelo Ministério da Saúde.

“Para termos uma ideia da gravidade, as epidemias de dengue, por exemplo, causaram 4 mil mortes em 10 anos, de 2005 a 2015. Já as mortes em acidentes de trânsito chegaram a 500 mil em período similar, sem contar que em outras 500 mil pessoas tiveram sequelas permanentes”, diz José Aurélio Ramalho.

Do mesmo modo, ele lembra que, além de prejuízos emocionais com a perda de parentes e amigos, os acidentes de trânsito geram custos anuais da ordem de R$ 52 bilhões ao país (dados de 2013) e a ocupação de aproximadamente 60% dos leitos hospitalares, em prejuízo de atendimentos para outras causas.

Por esses motivos, a mobilização em prol da queda do número de vítimas do trânsito é mais do que indispensável. “E a conscientização, fundamental, já que a reversão deste quadro não depende necessariamente de ações complexas ou mirabolantes. Respeitar as faixas de pedestres, dirigir em velocidade compatível à segurança, usar os cintos, as cadeirinhas para crianças, estar atento à sinalização e às condições das vias, são atitudes que contribuem para a preservação de vidas”, destaca Ramalho, lembrando que, no trânsito, quem mata não é o carro, o ônibus, a moto ou o caminhão, e sim a pessoa que está conduzindo o veículo.

Deixe seu comentário