Até quando a Grande São Paulo vai ser excluída do Metrô?

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O Metrô de São Paulo opera desde setembro de 1974, portanto, há quase 42 anos. Inicialmente uma empresa da Prefeitura de São Paulo, os altos custos fizeram com que o Governo do Estado de São Paulo assumisse o controle da estatal em 1979. Repare bem, já são mais de 35 anos que a Companhia do Metropolitano de São Paulo não é mais uma empresa do Município de São Paulo.

Quase quatro décadas depois, porém, a Grande São Paulo continua excluída desse modal. As obras de expansão do transporte metropolitano sobre trilhos nesse período foram importantes, mas não dão aos moradores das cidades próximas à capital nem o conforto, nem a qualidade do Metrô.

O que os recentes governos paulistas fizeram foi interligar estações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que opera os transportes ferroviários, à malha metroviária existente em São Paulo. Mas isso não vale para todo mundo.

Não há dúvidas que hoje para quem mora em Santo André, por exemplo, ficou muito mais fácil acessar a Avenida Paulista. Basta tomar um trem na estação da Linha 10-Turquesa da CPTM que fica no centro da cidade, ir até a estação Tamanduateí e pular para a linha 2-Verde do Metrô, que tem três estações na avenida mais famosa da cidade. Isso vale também para moradores de São Caetano do Sul, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Para quem é de São Bernardo do Campo ou Diadema, restam os trólebus, operados pela Metra, um serviço saturado como os outros nos horários de pico, mas com a sensação de ter muito mais falhas, quebras, ou os famosos desvios que desconectam os cabos de força dos ônibus dos fios que os abastecem com energia elétrica. São Bernardo do Campo vive há anos com uma promessa da construção do Monotrilho da Linha 18-Bronze que ligaria a cidade ao Tamanduateí, com acesso à linha 2-Verde do Metrô. A obra se encontra ainda em fase de licitação.

Mesmo para quem é de uma das cidades servidas pela CPTM, o serviço é visivelmente inferior ao do Metrô. A agilidade dos trens é uma piada, os intervalos são enormes e as quebras mais constantes. Há uma promessa praticamente eterna de expansão do transporte metroviário para outras cidades além de São Paulo. No poder desde 1995, os governadores do PSDB avançam lentamente na construção de novas linhas e estações.

Em um mapa projetado do transporte metropolitano, que simula as linhas que estariam disponíveis em 2020, daqui a quatro anos, tudo seria um mar de rosas para quem mora fora da capital, mas tira dela o seu sustento e o futuro profissional. Na prática, é óbvio que as obras não ficarão prontas nesse tempo. Quando ficarem, certamente estarão defasadas por uma demanda maior do que na época em que elas foram projetadas.

Isso é o que fez a linha 10-Turquesa da CPTM deixar de seguir viagem até a estação da Luz, por exemplo. Com a inauguração da estação da Linha 4-Amarela da ViaQuatro no mesmo lugar, o governo estadual entendeu que a linha vinda de Rio Grande da Serra causaria transtornos na Luz e fixou seu terminal no Brás. Era uma forma de evitar aglomerações na transferência para o novo terminal da linha 4-Amarela.

Isso foi resolvido em cima da hora, entre agosto e outubro de 2011, e os usuários da linha 10-Turquesa foram enganados por dois meses. Avisos sonoros e até gráficos nas estações e nos trens diziam que os trens daquela linha usariam a estação do Brás como terminal em função de reformas no trecho até a Luz. Ela nunca mais voltou ao seu terminal original.

Tal medida prejudicou por tabela a linha 11-Coral da CPTM, que opera no mesmo trecho o Expresso Leste. Passageiros da linha 10-Turquesa que queriam chegar à Luz passaram a ter que fazer uma transferência para o trem vindo de Guaianases (ou Estudantes), provocando confusão no embarque no Brás em horários de pico.

Falando em linha 4-Amarela, a cidade de Taboão da Serra também foi iludida nos últimos anos com a promessa de uma estação da ViaQuatro no local, ligando o município à Luz, com integrações possíveis a mais de dez outras linhas de CPTM e Metrô no caminho. Esse trecho, no entanto, deixou de ser prioridade.

A própria extensão da linha 4-Amarela, que atualmente vai até o Butantã, teve a licitação suspensa e só liberada no último dia 1º de abril. A estação São Paulo-Morumbi ficará pronta em 2017, de acordo com estimativas do governo estadual, e a da Vila Sônia no ano seguinte. Imagine em Taboão da Serra.

Em janeiro deste ano, foi a vez de Guarulhos ser vítima de mais um adiamento de obras pelo governo estadual. A extensão da linha 2-Verde do Metrô até a cidade ficará suspensa até janeiro de 2017 por determinação da gestão de Geraldo Alckmin. Originalmente, essa obra deveria ficar pronta em 2020.

Essa linha, que hoje opera até a estação Vila Prudente, chegaria até a região da Rodovia Presidente Dutra, cruzando com o monotrilho da linha 15-Prata, ainda no terminal atual de Vila Prudente, com a futura linha 6-Laranja do Metrô, em Anália Franco, com a linha 3-Vermelha do Metrô na Penha, e com a linha 12-Safira da CPTM, na futura estação Tiquatira.

Com as demais linhas que nem se ouve falar, mas constavam no projeto para 2020, a ideia era ter uma malha metroviária de 168 km daqui a quatro anos. A situação real atual não chega à metade disso, batendo em pouco menos de 80 km de extensão.

O Metrô da Cidade do México, fundado um pouco antes do paulistano, em 1969, tem hoje 12 linhas em funcionamento ao longo de 225,9 km, com 195 estações operantes. São Paulo tem 67 km e ainda não conseguiu sair da capital. Um jogo duro para uma metrópole que não para de crescer e se integrar economicamente.

Fonte: Onda News

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