Fernando Haddad defende fechar Minhocão por até um ano como teste

Ao propor a alternativa, prefeito de São Paulo criticou a falta de abertura da cidade para novidades urbanísticas

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu pela primeira vez nesta quarta-feira, 16, que o Elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão, seja fechado em caráter experimental para carros, durante a semana, pelo período de um mês a um ano. A ideia é testar o comportamento do trânsito antes de tomar uma “decisão radical”, segundo o prefeito, como a demolição da via. Ao propor a alternativa, Fernando Haddad criticou a falta de abertura da cidade para novidades urbanísticas e disse que é “constrangedor ter que passar por isso toda vez” em que propõe uma “inovação”.

“Uma das coisas possíveis seria: vamos fechar por um mês, dois meses, três meses? Vamos estabelecer um prazo para ver com a cidade vive sem isso por um tempo, sem tomar a decisão. Vamos experimentar? Se nós tivermos uma comunidade mais aberta ao experimentalismo, vamos poupar tempo, energia, desgaste pessoal e vamos chegar a solução mais viáveis”, disse Fernando Haddad, durante palestra para alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo.

“Obviamente que você não vai experimentar uma coisa sem base científica, mas se tem base, você tem que testar as hipóteses, mesmo correndo o risco de errar”, destacou. A Prefeitura de São Paulo informou que não há estudos da Companhia de Engenharia de Tráfego sobre a possibilidade de fechamento do Elevado por um período apontado por Fernando Haddad nesta manhã. A ideia foi uma hipótese levantada por ele que poderia ser colocada em prática no caminho para a desativação da via.

O debate sobre a eficiência do Minhocão como via de tráfego vem ganhando força desde julho de 2014, quando a gestão Haddad aprovou o Plano Diretor. No artigo 375 do projeto, a Prefeitura previu a elaboração de uma lei específica para o Minhocão “determinando a gradual restrição ao transporte individual motorizado” e “definindo prazos até sua completa desativação como via de tráfego, sua demolição ou transformação, parcial ou integral, em parque”.

Segundo o prefeito, engenheiros e urbanistas “mais radicais” consultados pela gestão afirmam que vale a pena demolir o Minhocão. Eles admitem, conforme Fernando Haddad, que o desmonte do Elevado Costa e Silva vai causar transtorno por alguns meses, mas o trânsito vai acabar se acomodando sem a via e sem necessidade de um substituto.

Inicialmente, o prefeito chegou a especular a possibilidade de fechar por até um ano. Em seguida, porém, levantou a hipótese de pelo menos um mês. “Talvez fosse o caso de, ao invés de tomar uma decisão radical como essa, convencer a cidade a fazer o seguinte: vamos fechar um ano e ver o que acontece. Uma das coisas que mais prejudicam a cidade é a falta de experimentalismo”, afirmou.

Fernando Haddad criticou a falta de abertura da cidade às mudanças urbanísticas e o posicionamento “conservador” dos meios de comunicação. De acordo com o prefeito, para que a ideia do bloqueio aos carros possa ser levada à frente, é preciso ter uma abertura da sociedade.

“A cidade precisa se abrir um pouco para a mudança. Infelizmente, os meios de comunicação jogam um conservadorismo sempre. Mudança não é bem-vinda. Então, das duas uma: ou está tudo bem e mudar é sempre para pior ou não existe mudança para melhor. Não sei compreender esse tipo de raciocínio. Não sei se é porque eu vim da universidade. Na universidade, você está experimentando o tempo inteiro. Para aprender, tem que experimentar”, defendeu o prefeito.

* As informações são do jornal O Estado de São Paulo

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