Uber pressiona Fernando Haddad a vetar projeto que proíbe o aplicativo em São Paulo

A empresa Uber, do aplicativo que conecta motoristas particulares a passageiros, lançou mão neste domingo, dia 4 de outubro, de uma campanha para pressionar o prefeito Fernando Haddad a vetar o projeto de lei que proíbe o serviço na cidade.

O projeto foi aprovado em segunda votação na Câmara Municipal de São Paulo, sob forte pressão de taxistas, no dia 9 de setembro.

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  • Em anúncios de duas páginas em jornais, a empresa avisa: “Prefeito Haddad: enviamos este e-mail hoje cedo para o senhor. Caso ainda não tenha lido, publicamos aqui também”. Na sequência, a empresa reproduz a mensagem que diz ter encaminhado ao prefeito. A partir desta segunda-feira, dia 5 de outubro, haverá também inserções em emissoras de rádio e na internet.

    No e-mail há elogios à “coragem” de Fernando Haddad em implementar medidas como as ciclovias, a redução dos limites de velocidade em vias da capital e a expansão das faixas exclusivas de ônibus.

    Em tom de ironia, afirma que “não seria por falta de coragem” que o prefeito proibiria o serviço do aplicativo.

    A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo informou que Fernando Haddad não iria comentar os anúncios.

    O Uber já havia feito campanha neste ano para que usuários enviassem e-mail aos vereadores, quando o projeto ainda estava na Câmara Municipal de São Paulo. Inundado por mensagens, o sistema de e-mails da Câmara Municipal de São Paulo chegou a ser afetado.

    REGULAMENTAÇÃO

    Fernando Haddad já manifestou intenção de regulamentar o Uber. De acordo com interlocutores do prefeito, serão definidas regras para que não haja conflito de interesse entre os motoristas e os cerca de 30 mil táxis que circulam na cidade.

    Sem detalhar como seria a regulamentação, Fernando Haddad disse em Paris que deve-se buscar um caminho intermediário para evitar conflitos – taxistas fizeram vários protestos até que a Câmara Municipal de São Paulo aprovasse o veto a aplicativos como o Uber.

    O projeto que está nas mãos do prefeito, embora proíba os aplicativos, tem uma emenda – sugerida pela Prefeitura de São Paulo – que prevê estudos para eventual regulamentação.

    Depois da fala em Paris, o prefeito disse que até esta semana criaria um “marco regulatório” sobre o transporte por aplicativos.

    “A própria lei que foi aprovada na Câmara diz que nós não podemos desperdiçar a tecnologia. Não vamos desperdiçar, que é o que as pessoas querem, com razão”, disse Haddad.

    O gerente-geral da Uber no Brasil, Guilherme Telles, afirmou que a imposição de limites à atuação da empresa vai estimulará a criação de um “mercado paralelo”.

    “O mais importante é que não sejam criadas barreiras artificiais, porque, quando se cria uma regulamentação com essas barreiras, isso gera um mercado paralelo”, disse.

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