Metade dos acidentes de trânsito de 2014 em São Paulo envolveu motoqueiros

A disputa por espaço nas ruas da cidade de São Paulo é grande. A cidade tem seis milhões de carros, um milhão de motos e 261 mil bicicletas.

Em 2014, 40 pessoas morreram em acidentes na Marginal Tietê. É a via que mais mata em São Paulo. Este índice fez a prefeitura reduzir o limite de velocidade da Marginal Tietê e também da Pinheiros. As duas vias mais importantes de São Paulo, que cortam toda cidade. Os novos limites estão em vigor há dois meses e meio.

Em São Paulo, 51% das infrações são cometidas por 5% dos motoristas. No primeiro semestre de 2015 foram mais de 300 mil multas somente nas marginais Pinheiros e Tietê. “Infelizmente o nosso motorista começa a obedecer a partir do momento em que ele percebe que teve algum prejuízo”, diz Valtair Valadão, diretor de operações da CET.

Motocicletas

Nas ruas de São Paulo, só nos grandes cruzamentos há espaços reservados para as motos na frente dos carros. São apenas 187 faixas. Em 2015, a prefeitura reduziu a velocidade em 85 avenidas. Na maioria caiu para 50 quilômetros por hora.

As motos são 13% dos veículos que circulam pela cidade, mas só recebem 4% das multas. A prefeitura vem aumentando o número de radares que flagram motos.

São Paulo tem um milhão de motos e quase seis milhões de carros, mas entre as vítimas os números são muito diferentes. No ano passado, morreram 440 motoqueiros e 207 motoristas.

Bicicletas

O bicicletário da estação de trem do Jardim Elena, Vila Mara, na zona leste de São Paulo, tem vaga para 256 bicicletas e é um dos mais movimentados da cidade.

Antes das oito da manhã o bicicletário lota. Quando todos os ganchos estão ocupados, o ciclista precisa esperar alguém sair e liberar uma vaga.

Os 29 bicicletários que funcionam ao lado das estações de trem da grande São Paulo oferecem mais de 7.158 vagas. O ciclista deve fazer um cadastro e pode ocupar as vagas entre 4h e 0h30.

Cerca de 261 mil bicicletas rodam por São Paulo. Nos últimos dois anos foram construídos quase 300 quilômetros de ciclovias na cidade.

Além das ciclovias, há seis anos algumas regiões da cidade ganharam também as ciclofaixas, que funcionam apenas aos domingos e feriados. Aí o número de ciclistas aumenta consideravelmente.

Poucos ciclistas usam o equipamento de segurança no dia a dia. Já no fim de semana, o comportamento dos ciclistas é bem diferente.

No ano passado foram registrados 645 acidentes com bicicletas em São Paulo e 47 pessoas morreram.

Táxi x Uber

Assim como o táxi, o Uber leva pessoas de um lado para o outro, mas nasceu diferente. O Uber é um aplicativo americano de celular que trabalha com motoristas particulares que dirigem carros comuns.

Presente em 30 países, em todo lugar por onde passou, revoltou os taxistas. As prefeituras não têm regras para o funcionamento do Uber nas cidades. Acompanhamos os bastidores da votação de um projeto de lei que proíbe aplicativos de transporte individual que não usam os táxis.

O vereador José Police Neto (PSD) é o maior opositor do projeto de lei que proíbe o Uber e aplicativos semelhantes. “O taxista sempre foi um formador de opinião. Tanto é, que a lenda urbana diz que quem briga com taxista não vence eleição”. Em vez da proibição, ele defende a regulamentação do serviço prestado pelo Uber.

O vereador Adilson Amadeu (PTB) é autor do projeto contra aplicativos que não usam o táxi. Ele nasceu numa família de taxistas. “A categoria quer ver o que é de melhor para fazer, para combater esses clandestinos que tentaram entrar. Que estão aí ainda”.

Apesar da grande votação contra o Uber, o prefeito Fernando Haddad diz que pretende regulamentar o serviço. A empresa já tem dois mil motoristas em São Paulo.

A motorista do Uber Poli Santana trocou o trabalho de secretaria para ganhar o dobro dirigindo. Para trabalhar na empresa é preciso ter um carro preto e habilitação de motorista profissional. “Acho que talvez eu já tenha pensado em algum momento na minha vida em ser taxista, por eu gostar de dirigir, mas pela dificuldade de alvará, toda essa questão burocracia, talvez nunca tenha levado adiante”.

A cidade de São Paulo tem 80 mil taxistas, mas só 36 mil têm o alvará da prefeitura. Quem não tem a permissão, trabalha em frota. Nesse esquema, o motorista precisa pagar uma diária e perde parte das corridas recebidas.

Fonte: Profissão Repórter

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