Três trens da Supervia passaram sobre corpo de ambulante, diz polícia

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Imagem: Globo News

Antes do trem autorizado a seguir, um outro passou em alta velocidade.
Laudo da simulação feita sobre o caso deve ficar pronto em um mês.

No fim de julho, o ambulante Adílio Cabral dos Santos foi atropelado na via férrea na estação de Madureira. Seu corpo ficou sobre os trilhos. Quando um outro trem veio pela linha férrea, acabou passando sobre o corpo. Imagens gravadas por celular de uma pessoa que estava na plataforma mostrando o trem passando sobre o corpo chocaram o público. A Supervia informou que autorizou a passagem do trem por que, como a composição é alta, não atingiria o corpo.

Mas depois de ouvir sete funcionários da Supervia, o delegado Rodrigo Barros, da 29ª DP (Madureira), responsável pela investigação da morte do ambulante, revelou ao jornal “Extra” nesta terça-feira que na verdade três composições passaram sobre a vítima. Além do trem que o atropelou e o que foi autorizado a passar por cima, um segundo trem teria chegado em alta velocidade e não teve condições de parar. O maquinista, no entanto, teria visto que havia um corpo nos trilhos e avisado à sala de controle.

Uma simulação do acidente feita no domingo (16) pelos investigadores vai dizer se houve crime no atropelamento e se o terceiro trem encostou no corpo. Se isso aconteceu, o gerente de Operações da Supervia, que deu a ordem para que as viagens continuassem, pode ser incriminado por vilipêndio a cadáver, desrespeito. O laudo deve sair em 30 dias.

A Supervia informou que continua à disposição da polícia e que aguarda a conclusão das investigações.

‘Negliência’, disse irmão

Élcio Santos Júnior, irmão de Adílio, quando esteve no Instituto Médico Legal para liberar o corpo do irmão, definiu o caso como uma negligência.

“Achei uma negligência, né? Muito negligente passar por cima de uma pessoa, mandar passar por cima do corpo de uma pessoa. Porque, também, não era parente dele”, afirmou o irmão da vítima.

Na ocasião, o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, disse que os responsáveis devem ser identificados.

“O centro de controle tem a visão de tudo que acontece no sistema, de que tem em cada trilho, e é ele que dá o comando ao maquinista. Se aquele trem estava irregularmente naquele trilho, alguma falha aconteceu. Precisamos entender quem deu a autorização para que o trem prosseguisse, mesmo com o corpo na pista”, afirmou Osório, chamando o episódio de “inaceitável”.

Para a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), a situação é uma “barbaridade”.

O Procon-RJ também apura as responsabilidades do caso e afirma que vai cobrar da Supervia resposta sobre como Adílio Cabral dos Santos teve acesso à linha férrea.
Já a Agetransp, agência reguladora responsável pelos transportes públicos, diz que vai cobrar informações dos responsáveis para aplicar punições.

Fonte: G1 RJ

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