Passageiros são surpreendidos com greve dos ferroviários em Mogi das Cruzes

A greve dos ferroviários na manhã desta quarta-feira (3) pegou muita gente de surpresa na estação central da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em Mogi das Cruzes. Os passageiros que pretendiam embarcar nas linhas 11-Coral e 12-Safira (que atendem cidades do Alto Tietê) e são afetadas pela greve ficaram do lado de fora da estação. A paralisação da categoria começou a 0h desta quarta-feira. O Sindicato dos Trabalhadores da Central do Brasil decidiu parar as linhas 11-Coral e 12-Safira. O Sindicato dos Ferroviários de São Paulo confirmou a paralisação das linhas 7-Rubi e 10-Turquesa da 0h até pelo menos as 14h, quando haverá nova assembleia.

A principal das três estações da CPTM em Mogi das Cruzes estava com os portões fechados no início da manhã e com muita gente na porta. A maioria afirmou não saber da greve dos ferroviários. Os passageiros estavam divididos entre encontrar uma solução para chegar à capital ou voltar para casa.

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  • A estudante Ana Carolina Amorim, de 18 anos, estuda em São Miguel e viaja todos os dias de trem até o bairro.

    Nesta quarta-feira ela tem prova na faculdade. “Sei que vou chegar atrasada e espero não perder a prova. Uma amiga que mora em Suzano (cidade vizinha à Mogi) se ofereceu para me buscar de carro. Mas já adiantou que o trânsito está ruim e vai se atrasar. Tomara que a greve não continue porque tenho prova na segunda-feira (8) e não posso chegar atrasada.”

    O supervisor de vendas Anderson Moreira trabalha na Vila Maria e também encontrou o transporte ferroviário paralisado. “Se for de ônibus agora vai demorar umas três horas. Imagina o trânsito que vai estar? Para piorar o meu carro quebrou e nem se eu quisesse poderia ir de carro. A greve prejudica todo mundo”, desabafou Moreira.

    Fernanda Rocha é analista de call center e trabalha na Barra Funda. Todos os dias ela embarca na estação de Mogi das Cruzes às 6h para chegar ao trabalho às 8h30.

    “Fiquei sabendo ontem a noite, mas na região falta transporte. Não tem outra opção. Alternativa seria o ônibus, mas vai demorar muito. Já se fosse de fretado ia pagar do meu bolso.”

    O desembargador Wilson Fernandes, vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), determinou que deve ser mantido um contingente de 90% do efetivo de maquinistas e 70% dos demais profissionais entre 4h e 10h e entre 16h e 21h. Nos demais horários, 60% dos funcionários devem trabalhar. A liminar também impede que os trabalhadores efetuem a “liberação de catracas”. A multa diária para o descumprimento é de R$ 100 mil.

    Em nota, a CPTM afirma que considera “irresponsável” a decisão dos dois sindicatos. “Embora respeite o direito de greve, a CPTM ressalta que a paralisação do sistema prejudicará quase 3 milhões de usuários que utilizam diariamente a rede da CPTM para chegar ao trabalho, a escola, ao médico, a rede hospitalar, entre outros inúmeros compromissos assumidos.”

    Os engenheiros que trabalham na companhia informaram que a categoria não aceitou a proposta oferecida pela empresa e que está em estado de greve. Ao contrário dos ferroviários, os engenheiros decidiram, porém, que não haverá paralisação. Eles vão aguardar nova rodada de negociações no dia 11 de junho.

    Em nota, a São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura, informou que irá acionar o Plano de Apoio entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese) nesta quarta. Dessa forma, haverá reforço de ônibus que circulam pelas regiões das linhas da CPTM paradas. O número de veículos e as linhas que receberão reforço não foram informados.

    Negociação

    A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e os sindicatos que representam os ferroviários se reuniram nesta terça-feira (2), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas não chegaram a um acordo quanto ao reajuste salarial da categoria. A CPTM ofereceu duas propostas.

    Esta foi a terceira audiência de conciliação no TRT. Os ferroviários reivindicam 7,89% de reajuste salarial mais 10% de aumento real. A próxima reunião no TRT está marcada para o dia 11, às 13h.

    A companhia propôs reajuste salarial com base no IPC, de 6,6527%, com adicional de 1% e reajuste de 10% sobre os benefícios. A segunda oferta é de reajuste linear de 8,25% sobre salário e benefícios. O conselho de conciliação do TRT sugeriu ainda um reajuste de 6,6527% (IPC) + 1% de reajuste e 15% de aumento nos benefícios. Durante a reunião, a CPTM chegou a oferecer 8,5% de reajuste salarial e de benefícios, mas, durante o recesso da audiência, a diretoria da empresa foi contra a proposta.

    Fonte: G1

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