Trabalhadores das grandes cidades sofrem mais com transporte, diz Ipea

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou em (24/04) o Comunicado 161 – Indicadores de Mobilidade Urbana da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2012, pela qual descobriu que 54% dos brasileiros têm carro ou moto em casa. “Apesar de ter melhorado a renda e aumentado a posse de veículos automotores, a população pobre ainda enfrenta os maiores problemas de mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras”, afirmam os organizadores da pesquisa. Foi analisado também o tempo que os trabalhadores levam para se locomover de casa ao trabalho e no caminho de volta.

Os pesquisadores concluíram também que com o maior número de veículos nas ruas, o tempo médio gasto para chegar ao trabalho pelos habitantes das regiões metropolitanas atingiu 40,8 minutos – a média, no Brasil, é de 30,2 minutos. As coisas pioraram nas capitais do Norte e Nordeste nas condições de tráfego. Belém, Salvador e Recife apresentaram, entre 1992 e 2012, taxas de crescimento do tempo de viagem de 35%, 27,1% e 17,8%, respectivamente.

Averiguou-se ainda que “entre as pessoas com renda per capita de meio a um salário mínimo, 17% passam mais de uma hora no deslocamento casa/trabalho. Essa proporção é seis pontos percentuais superior à registrada nas famílias mais ricas (acima de cinco salários mínimos)”, concluem os organizadores. Pelo levantamento 66,9% dos trabalhadores gastam até 30 minutos na locomoção de casa para o trabalho, sendo 65,9% no meio urbano e 76,2% no rural.

Já 23,1% da classe trabalhadora levam entre 30 minutos e 1 hora para chegar ao trabalho após sair de casa, 8,1% precisam de uma a duas horas e 2% consomem de mais de 2 horas para locomover-se até o local do seu emprego. Esses percentuais referem-se ao tempo gasto somente de ida, na volta leva-se praticamente o mesmo tempo, ou seja, a maioria dos trabalhadores perdem pelo menos 1 hora no tráfego todos os dias.

Em 1992, 28,4% dos trabalhadores levavam mais de 1 hora para chegar ao trabalho, em 2012 esse índice passou para 30,2%. O aumento é atribuído principalmente às regiões metropolitanas que possuem maior volume de veículos particulares nas ruas e o transporte coletivo é de péssima qualidade. Ônibus, trens e metrô estão sempre superlotados nos horários de maio pico, com grande morosidade.

Outra constatação do estudo do Ipea foi que apenas 11% das pessoas extremante pobres recebem vale-transporte. “As classes baixas têm os maiores percentuais de informalidade no trabalho, de forma que a política do vale-transporte não atinge justamente quem mais precisa”, ressalta o texto.

“O Comunicado conclui ser inevitável a tendência de aumento na taxa de motorização da população, especialmente com a contínua melhora na renda dos trabalhadores, o que gerará impactos sobre as condições de mobilidade e exigirá investimentos vultosos por parte dos governos em melhoria da infraestrutura de mobilidade nas próximas décadas”, garantem os pesquisadores.

Pesquisas recentes mostraram que a maioria se dispõe a utilizar transporte coletivo se melhorar a qualidade e o tempo de espera diminuir. Isso poderia melhorar a mobilidade pelas ruas das grandes cidades. Já os setores empresariais, através da mídia não se mostram favoráveis a melhorias no transporte público. Basta ver as críticas que jorraram contra as faixas exclusivas de ônibus inauguradas em São Paulo há pouco tempo.

Pelo levantamento do Ipea percebe-se evidentemente que os trabalhadores das regiões metropolitanas do país são os mais castigados na locomoção de casa ao trabalho e no caminho de volta. Nos grandes centros é que os trabalhadores residem mais distante de seu local de trabalho e precisam utilizar invariavelmente mais de um transporte para chegar ao objetivo final.

Veja os gráficos da pesquisa aqui.

Leia o Comunicado na íntegra.

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