Fracassam tentativas de acordo para evitar greves no Metrô e na CPTM

Terminaram sem acordo as audiências de conciliação do Metrô e da CPTM com representantes dos funcionários das duas empresas vinculadas ao governo do Estado de São Paulo. Os encontros aconteceram na tarde desta segunda-feira (25) na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, na capital paulista. Greves dos metroviários e dos ferroviários por melhores salários estão marcadas para a próxima quarta-feira (27).

METRÔ

  • Siga o Mobilidade Sampa nas redes sociais, estamos no X (antigo Twitter), Facebook, Instagram, Threads, Bluesky, YouTube e LinkedIn ou participe dos canais no WhatsApp e Telegram
  • O Metrô oferece reajuste salarial de 7,21% para metroviários e engenheiros. Os metroviários querem, porém, um aumento de 18,64%, reajustes na cesta básica (de R$ 290 para R$ 422,84) e no vale-refeição (10,08%), reintegração dos trabalhadores demitidos em 2014 (como decorrência da última greve), redução da jornada de trabalho de 40 horas para 36 horas, entre outras reivindicações. O Sindicato dos Engenheiros pleiteia uma elevação de 17,01%.

    Para tentar solucionar o impasse, o Núcleo de Conciliação do tribunal propôs um reajuste de 7,21% mais 1,5% de produtividade. O mesmo aumento seria aplicado também para vale-refeição, vale-alimentação e PLR (Participação nos Lucros e Rendimentos). A proposta será analisada pela direção do Metrô e pelos trabalhadores. Os metroviários realizarão uma assembleia às 18h30 desta terça-feira (26). A reivindicação da categoria de readmitir os metroviários demitidos no ano passado, durante a greve, foi descartada pelo tribunal.

    Ficou marcada para a próxima segunda-feira, dia 1º, uma nova reunião de conciliação no TRT.

    A Justiça também propôs uma cláusula de paz a ser cumprida por empresa e sindicatos. A intenção é que, durante as negociações salariais, os trabalhadores mantenham o estado de greve sem promover qualquer paralisação efetiva dos serviços, e que o Metrô respeite a atuação dos sindicatos sem praticar “retaliação, perseguição, despedida ou qualquer outro ato que importe em descumprimento ou impedimento da liberdade sindical e do exercício do direito de greve”.

    Na semana passada, o mesmo tribunal determinou que, durante a greve programada para quarta-feira, 100% dos metroviários devem trabalhar nos horários de pico – das 6h às 9h e das 16h às 19h – e que 70% trabalhem nos demais horários. O Metrô de São Paulo tem quase 10 mil funcionários. Se houver descumprimento, o sindicato dos metroviários está sujeito a uma multa diária de R$ 100 mil.

    O presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Junior, afirmou que a proposta do TRT “não era o que o sindicato queria, mas é melhor do que a empresa estava proposto”, mas destacou que a decisão da greve será tomada por todos os trabalhadores, na assembleia.

    O último reajuste salarial dos metroviários, de 8,7%, ocorreu no mês de junho do ano passado.

    O Metrô afirmou que “mantém aberto o diálogo com a categoria para fechar acordo e que uma paralisação injustificada em meio ao processo de negociação causará prejuízo à toda população de São Paulo”.

    CPTM

    A CPTM oferece reajuste salarial de 6,65%, mas os ferroviários querem 7,89% de correção mais 10% de aumento real.

    Como solução, o desembargador Wilson Fernandes, vice-presidente judicial do Tribunal, propôs um reajuste 6,65% mais 1,5% de produtividade.

    Uma nova audiência está agendada para as 10h desta terça-feira (26). “A audiência foi adiada para que possa haver uma discussão em cima de propostas reais. Vamos fazer o possível para evitar a greve”, disse o desembargador.

    Na última sexta-feira (22), a Justiça ordenou que, durante a greve, os ferroviários devem manter 90% do efetivo de maquinistas e 70% dos demais funcionários nos horários de pico – entre 4h e 10h e entre 16h e 21h – e um contingente de 60% nos demais horários.

    A decisão judicial também impede que os trabalhadores liberem as catracas para os usuários. Os sindicatos que representam os funcionários da empresa estão sujeitos a pagar multa diária de R$ 100 mil caso não cumpram as determinações.

    Os funcionários da CPTM são representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (linhas 11-Coral e 12-Safira), Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de São Paulo (linhas 7-Rubi e 10-Turquesa), Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana (linhas 8 Diamante e 9-Esmeralda) e Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.

    Assim como os metroviários, os três sindicatos que representam funcionários da CPTM estão em estado de greve e uma assembleia marcada para a noite de terça (26) deverá confirmar se haverá paralisação ou não.

    O último reajuste da categoria, que tem data-base em março, aconteceu em maio do ano passado e foi de 7,5%. Na ocasião, o acordo com os funcionários foi fechado no dia anterior ao marcado para iniciar a greve da categoria.

    Foto: @expulsandotedio via Twitter
    Foto: @expulsandotedio via Twitter