Parados há 32 dias, professores de São Paulo mantêm greve e governo marca reunião

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Professores da rede estadual de São Paulo decidiram, nesta sexta-feira (17), manter a greve iniciada há 32 dias em assembleia realizada no vão-livre do Masp, na avenida Paulista.

Mais de 60 mil docentes compareceram, segundo o sindicato da categoria, a Apeoesp. Para a Polícia Militar, foram 3.000.

Na quinta-feira (23), o secretário estadual da Educação, Herman Woorvald, receberá o comando do sindicato da categoria, a Apeoesp. A próxima assembleia ficou marcada para a sexta-feira seguinte (24).

De acordo com a presidente do sindicato, Maria Izabel Noronha, até o momento, o governo do Estado não apresentou nenhuma contra-proposta.

O sindicato pede aumento de 75% e melhores condições de trabalho. Segundo a Apeoesp, o reajuste equipararia a remuneração docente com a dos demais profissionais com formação superior.

A secretaria disse, em nota, que “lamenta a insistência de uma única entidade em continuar uma greve política, desnecessária e que permanece com baixa adesão”.

A pasta afirma que 93% dos docentes da rede trabalharam normalmente nesta semana. O sindicato diz ter adesão de 79% à greve.

“Outros quatro sindicatos da área da educação, diferentemente da Apeoesp, negociam com o governo sem greve, sem prejudicar pais e alunos”, completou a secretaria.

Noronha afirma que o governo negou-se a ouvir as revindicações da Apeoesp. “Esse papo de democracia é balela”, criticou.

O piso da categoria é de R$ 2.416, para jornada semanal de 40 horas no ensino médio.

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma ter dado reajuste de 45% em quatro anos e que distribuirá R$ 1 bilhão em bônus ainda em 2015.

PASSEATA

Depois da assembleia nesta sexta (17), às 16h40, os manifestantes seguiram em passeata até a praça da República, na região central de São Paulo, onde fica a Secretaria Estadual da Educação e onde há docentes acampados.

O ato percorreu, entre outras vias, a avenida Brigadeiro Luís Antônio e a avenida 23 de Maio, que ficou interditada por mais de uma hora, e foi encerrado por volta de 20h.

ESCOLAS AFETADAS

A greve dos professores atingiu 12 das 20 escolas da rede mais bem avaliadas pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) na capital paulista.

Mapeamento da Folha nos últimos três dias nos colégios com as melhores notas em português verificou que a maioria tem sido afetada parcialmente pela paralisação.

Alunos com professores em greve têm aulas vagas ou aulas com substitutos. O sindicato diz que em alguns casos os substitutos não são da matéria do professor titular.

A Secretaria da Educação afirma que 4,3% dos professores nessas 12 escolas se ausentaram. Nega troca de professores entre as disciplinas e diz não haver motivo para aula vaga porque a rede tem professores substitutos.

Fonte: Folha de São Paulo

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