Após 12 anos, São Paulo abandona maioria das obras do sistema de transporte

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Frota de ônibus
Foto: Divulgação

De 300 km de corredores de ônibus prometidos em 2003, só 83 km foram entregues até agora

Plano da licitação de 2003 na capital teve outros projetos abandonados, como 350 pontos de ônibus

Doze anos após começar a implementar um novo sistema de transporte, a Prefeitura de São Paulo deixou para trás a maioria dos projetos previstos e que deveriam ter sido concluídos até 2013.

Levantamento feito pela Folha mostra que, passados três mandatos, de 300 km de novos corredores de ônibus prometidos em 2003, só 83 (28%) foram entregues, metade de 30 novos terminais previstos não saiu do papel e o projeto de construir 350 estações de transferência (pontos mais estruturados para baldeações) nunca foi adiante, já que apenas três deles foram construídos.

Os corredores permitem maior velocidade aos ônibus, enquanto os terminais e as estações organizam os embarques e garantem mais conforto nas transferências.

Agora, a gestão Fernando Haddad (PT) promete uma nova concorrência até julho para reorganizar o sistema que transporta 6 milhões de pessoas por dia, ao custo aproximado de R$ 6 bilhões anuais (leia quadro ao lado).

Idealizado na gestão petista de Marta Suplicy (de 2001 a 2004), o sistema de transportes integrado nasceu após uma licitação, em 2003, que escolheu empresários e permissionários para atuar por dez anos, mas eles operam até hoje por meio de contratos emergenciais.

A reorganização do sistema incluía, além das obras, a implementação do Bilhete Único, que “acabou” com o pagamento em dinheiro ou vale-transporte e deu início ao sistema eletrônico vigente.

Porém, dos 300 quilômetros prometidos, Marta entregou somente 71, além de construir seis terminais. Deixou o restante para os sucessores José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD).

Entre 2005 e 2012, o ritmo foi reduzido e só outros 11,8 km de corredores e nove terminais foram concluídos.

Entre os projetos que não saíram do papel, está o de um terminal em Perus (zona norte), antiga reivindicação dos moradores. Em 2013, após retomar o projeto ao custo de R$ 111 milhões, a gestão Haddad prometeu entregar a obra em dezembro de 2016, junto com outros três terminais nas zonas sul e leste.

A licitação de 2003 previa que os donos das empresas teriam que bancar as construções e manter os equipamentos. Porém, ainda na assinatura do contrato, isso mudou.

As obras estavam vinculadas a uma “cláusula de transição”, sem prazos específicos. Sem compromisso definido, todas essas metas morreram pelo caminho.

“Licitaram um sonho, mas, na hora da assinatura dos contratos, não se previa tudo aquilo”, disse Francisco Christovam, presidente do SPUrbanuss (sindicato dos empresários de ônibus).

Com isso, a prefeitura passou a custear as obras e a manutenção dos terminais.

Diante dos projetos não entregues, a gestão agora prevê uma licitação mais “realista”, sem cláusulas extras.

Eleito em 2012, Haddad prometeu retomar 150 km de corredores. Em vez de dinheiro dos empresários, conta com verbas federais.

Se o projeto dos corredores foi minguado pela gestão Serra/Kassab, Haddad também patina para dar sequência aos prometidos e já admite “deslizar” obras para depois do mandato. Além disso, não é possível descartar a redução dos repasses da União diante dos ajustes na economia.

Fonte: Folha de São Paulo

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