Chuva provoca alagamentos e congestionamento na capital paulista

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Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda (Foto: Hélvio Romero/Estadão)

A cidade de São Paulo registrou o dia mais chuvoso de abril dos últimos 23 anos, informou o Centro de Gerenciamento de Emergências nesta sexta-feira (7). Choveu 83,8% do esperado para todo o mês na quinta-feira (6).

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências, choveu de forma intermitente e em pontos isolados de São Paulo durante toda a quinta-feira e com mais intensidade a partir das 21h. Choveu 53,4 mm de chuva, 83,8% do esperado para o mês, que é 63,7 mm.

Antes disso, 30 de abril de 2012 havia sido o dia mais chuvoso registrado em um mês de abril, quando choveram 45,6 mm de água naquele dia.

Marginal Tietê, na altura da Ponte das Bandeiras (Foto: Newton Meneses/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Marginal Tietê

A forte chuva que atingiu a capital paulista na madrugada e manhã desta sexta-feira (7) fez com que o rio Tietê transbordasse e interditasse um trecho da Marginal Tietê.

O Centro de Gerenciamento de Emergências informou que o transbordamento ocorreu em três pontos da Marginal Tietê: Ponte do Piqueri, Barragem Móvel Montante e na Barragem Móvel Jusante. A pista da Marginal Tietê ficou completamente bloqueada na altura dos pontos de transbordamento e veículos não puderam transitar desde a Ponte das Bandeiras. Por volta das 8h30, a Marginal Tietê estava sem bloqueios.

O rio Tietê não transbordava desde 11 de março de 2016, quando as águas ultrapassaram a margem próximo à Ponte Presidente Dutra.

A água atingiu a carroceria de caminhões e motoristas tiveram que subir no teto dos veículos. A água do rio e o lixo invadiram uma escola, um clube e ruas do bairro do Aricanduva, na Zona Leste, ficaram completamente alagadas. O bairro do Bom Retiro também ficou alagado. Por baixo da Ponte da Casa Verde apenas caminhões transitaram.

Alagamento na Marginal Tietê (Foto: Reprodução/TV Globo)

João Doria

O prefeito João Doria falou sobre o transtorno causado pelas chuvas em entrevista concedida à Rádio Capital na manhã desta sexta-feira (7). Ele elogiou o trabalho da CET e destacou a chuva acima da média para justificar os transtornos causados à cidade.

“Choveu em 24 horas o que choveria em 30 dias. Choveu 30 vezes mais do que a normalidade para um período desse”. Segundo o prefeito, abril normalmente não é um mês de chuvas, mas o volume de água que caiu nas últimas horas foi maior do que o registrado nos dias mais chuvosos deste ano. “Evidente que isso afetou muito a vida da cidade”, completou.

De acordo com João Doria, a cidade começou a “voltar à normalidade” nesta manhã – e graças ao trabalho dos profissionais da CET. Ele disse que muitos estão trabalhando há mais de 24 horas. “Uma parte considerável nem voltou para casa. Continuou trabalhando madrugada adentro para minimizar os problemas”, afirmou.

“Foi a pior chuva em seis horas que São Paulo já recebeu na sua história. Choveu o que não chove em um mês. Realmente, foi o pior teste. Provocou distúrbios na cidade, atrapalhou muita gente, prejudicou muita gente. Felizmente, não tivemos, pelo menos não temos, notícia de nenhuma morte”, disse o prefeito.

Congestionamento

A cidade registrou 133 quilômetros de congestionamento às 8h. A média máxima de congestionamento no período da manhã é de 74 quilômetros, segundo a CET.

Segundo a CET, o recorde de congestionamento pela manhã na cidade neste ano foi de 201 quilômetros, no dia 15 de março, quando os metroviários, motoristas e cobradores de ônibus paralisaram os serviços em protesto contra as reformas trabalhistas e da Previdência Social propostas pelo governo Michel Temer.

O recorde histórico da cidade é de 249 quilômetros de congestionamento, que foi registrado em 25 de maio de 2012, quando a capital foi atingida por um forte temporal.

O presidente da CET, João Octaviano Machado Neto, afirmou que orientou as pessoas para evitar as marginais. “Pedimos que as concessionárias responsáveis pelas rodovias colocassem em seus painéis mensagens para que os motoristas evitassem as marginais”, disse.

“Colocamos nosso efetivo com prioridade na região do Aricanduva e na Marginal Tietê. Objetivo é fazer com que tenha desvios e auxilar na retirada dos carros que estão submersos”, disse. De acordo com João Octaviano Machado Neto, o rodízio de veículos não vai ser suspenso porque o problema se concentrou nas marginais.

Os transtornos no trânsito foram acentuados por semáforos em manutenção ou com falta de energia elétrica. Por volta das 11h, 62 dos 6.387 sinais estavam sem funcionar. A situação tem se repetido sempre que chove em São Paulo.

As áreas mais afetadas pela falta de iluminação, segundo a Eletropaulo, foram na Zona Oeste, mas a companhia não sabia precisar até à 0h20 desta sexta a magnitude do problema.

Alagamentos na Marginal Pinheiros na manhã desta sexta-feira (7) (Foto: GloboNews/Reprodução)

Alagamentos

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências, desde às 21h59 desta quinta-feira (6) até por volta das 8h, a cidade registrou 13 pontos de alagamentos intransitáveis.

As Zonas Leste, Norte, Oeste, Sul, Sudeste e região central e Marginal Pinheiros ficaram em estado de atenção para alagamentos das 22h57 desta quinta até às 4h07 desta sexta-feira (7).

A chuva forte e concentrada em pouco tempo fez com que diversos córregos e rios transbordassem. Os córregos do Oratório, Ipiranga, Aricanduva, Perus, Mandaqui e Ribeirão Verde extravasaram. O rio Tietê e o rio Verde também transbordaram. Com isso, os bairros do Ipiranga, Itaquera, Vila Prudente, Aricanduva, Casa Verde, Perus e Pirituba entraram em alerta.

Das 9h de quinta-feira (6) até às 9h de sexta-feira (6), choveu 106,8 milímetros na Vila Prudente, 100 milímetros na região central, 94,7 milímetros na Freguesia do Ó e 93,2 mm na Vila Mariana. A zona oeste também registrou uma média superior, com 95,4 milímetros para o Butantã e 87 milímetros em Pinheiros.

Durante a madrugada, os bombeiros atenderam 32 ocorrências de alagamentos e inundações na capital.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências, imagens de radar meteorológico indicam que as áreas de instabilidade que atuavam na capital paulista e Região Metropolitana de São Paulo perderam força. Foram registradas apenas pontos isolados de garoa ou chuva fraca. Essas condições persistem até o início da manhã. Os aeroportos de Cumbica e Congonhas operam por instrumento, mas normalmente.

Pontos de alagamentos registrados das 22h às 8h:

– Rua Francisco Rodrigues Nunes, próximo à Rua Miguel Nelson Bechara;
– Avenida General Edgar Facó, próximo à Ponte do Piqueri;
– Marginal Tietê, sentido Rodovia Ayrton Senna, próximo à Ponte da Casa Verde;
– Avenida das Nações Unidas, sentido Rodovia Castelo Branco, próximo à Ponte Engenheiro Roberto Rossi Zuccolo;
– Túnel Dirce Camargo, altura do nº 1;
– Rua Itagimirim, próximo à Rua Padre Viegas de Menezes;
– Avenida do Estado, próximo à Praça Alberto Lion;
– Marginal Tietê, sentido Rodovia Ayrton Senna, próximo à Ponte Presidente Jânio Quadros;
– Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, próximo à Rua Ibitirama;
– Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, Sentido Vila Prudente, próximo à Avenida Francisco Falconi;
– Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, próximo à Rua Dianópolis;
– Avenida Paes de Barros, próximo à Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello;
– Avenida Teresa Cristina, próximo à Avenida do Estado;

Rua alagada no Cambuci (Foto: Vinicius Barros)

Estradas

Os alagamentos na Marginal Tietê refletiram na Rodovia dos Bandeirantes. O tráfego ficou parado na chegada à capital paulista. A fila se estendeu por 4 km.

A concessionária Autoban orientou motoristas que viajam pela Rodovia dos Bandeirantes a acessar a Rodovia Anhanguera na região de Jundiaí ou entrar no Rodoanel, e seguir para a Rodovia Anhanguera.

A situação também ficou complicada na Rodovia Castelo Branco, sentido capital, por conta dos alagamentos na Marginal Tietê. O tráfego ficou parado na pista expressa e foram 5 km de engarrafamento no trecho final, antes do Cebolão.

Desabamento

Uma residência desmoronou no bairro do Cangaíba, na Zona Leste, na tarde desde sexta-feira (7), em razão do forte temporal que atingiu a cidade desde a noite de quinta-feira(6). Segundo o Corpo de Bombeiros, a ocorrência foi registrada na Rua Entre Rios nº 2. Ainda não há informações se alguém ficou ferido.

Próximos dias

De acordo com informações do Centro de Gerenciamento de Emergências, os ventos úmidos que passam a soprar do oceano ainda devem deixar o tempo instável, com muita nebulosidade, chuvas e declínio das temperaturas.

No sábado (8), o tempo melhora e o sol pode aparecer entre nuvens, mas os ventos úmidos que sopram do oceano ainda podem causar chuvas fracas e chuviscos, principalmente durante a madrugada e no final do dia. As temperaturas devem variar entre mínimas de 18°C e máximas que podem superar os 27°C.

* Atualização em 08/04/2017 às 21h12

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